Igreja da Escócia pede perdão por ter executado mulheres acusadas de bruxaria

The Witch No.1. Litogravura de Joseph E. Baker (Fonte: Wikimedia Commons))

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03 Junho 2022

 

Depois de analisar atentamente relatório preparado pelo Fórum Teológico, a Igreja da Escócia pediu desculpas pela perseguição e execução de milhares de pessoas nos séculos XVI a XVIII, principalmente mulheres, acusadas de bruxaria. A moção foi aceita por unanimidade pelos anciãos da Igreja e aprovada em Assembleia Geral.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista. 

 

“Pedir desculpas por erros históricos não significa assumir a culpa agora pessoalmente pelo que aconteceu no passado, nem aplicar mal os padrões de hoje a atores do passado”, disse a diretora do New College (Fórum Impacto da Fé), reverenda Susan Hardman Moore.

 

“Pelo contrário – prosseguiu -, pedir desculpas por erros históricos é se solidarizar com os inocentes que sofreram, reconhecendo e lamentando os danos que sofreram como resultado das ações da Igreja no passado; corrigindo o registro, afirmando a dignidade das pessoas que nossos precursores descartaram e reconhecendo o sofrimento causado por normas e políticas passadas que não aceitamos mais”.

 

A Lei de Bruxaria escocesa foi introduzida em 1563. Ela condenava a prática ou consulta às bruxas punível com a morte. Citando historiadores, matéria divulgada há mais tempo pelo New York Times informava que cerca de 4 mil pessoas, a maioria mulheres, foram acusadas de feitiçaria, presas e torturadas. Mais de 2,5 mil foram executadas entre 1563 e 1736.

 

Segundo o portal Daily Record, era corrente na época que o rei Jaime VI envolveu-se no julgamento contra as bruxas de North Berwick, o primeiro grande processo da Escócia contra as pessoas que supostamente tinham conluio com o diabo.

 

No Dia Internacional da Mulher, em março passado, a primeira ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, pediu escusas pelo ocorrido no passado. “Numa época em que as mulheres não podiam falar como testemunhas em um tribunal, elas eram acusadas e mortas porque eram pobres, diferentes, vulneráveis ou, em muitos casos, apenas porque eram mulheres”, disse em entrevista ao Times.

 

“Como primeira-ministra, em nome do governo escocês, estou escolhendo reconhecer essa injustiça histórica e flagrante e estender um pedido de desculpas formal e póstumo a todos os acusados, condenados, vilipendiados ou executados sob a Lei de Bruxaria de 1563.”

 

A Igreja da Escócia, também conhecida por Kirk, é uma igreja nacional, da família presbiteriana. Ela integra a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.

 

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