16 Dezembro 2021
Ameaças começaram após a cerimônia religiosa realizada no início do mês, em Maceió. Odja Barros registrou queixa na Polícia Civil e na Secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos.
A reportagem é de Erik Maia, publicada por G1, 15-12-2021.

Imagem: cerimônia foi conduzida pela teóloga e pastora Odja Barros, em Maceió | Foto: arquivo pessoal
A pastora Odja Barros, que conduziu a celebração de um casamento homoafetivo entre duas mulheres em Maceió, vem sofrendo ameaças de morte feitas a ela e a sua família. Ela registrou um Boletim de Ocorrência e se reúne na manhã desta quarta-feira (15) com o delegado-geral da Polícia Civil para tratar do caso.
Na terça (14), ela e a família prestaram queixa à polícia e formalizaram uma denúncia na Secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh). As ameaças foram feitas pela internet, em mensagens enviadas ao seu perfil em uma rede social.
Em contato com o g1, o pastor Wellington Santos, da Igreja Batista do Pinheiro e esposo de Odja, a família toda está assustada com as ameaças.
“Desde 2016 nós somos criticados pelo nosso trabalho junto às minorias, até campanha pessoal contra nós foi realizada. Mas quando isso toma essa proporção, de alguém ameaçar dar cinco tiros na cabeça da minha esposa, e cita que está monitorando minha família, nos dá a certeza que estamos vivendo uma barbárie. O debate deve acontecer no campos da ideias, quando as discordâncias viram ameaças de morte, é sinal disso”, relatou o pastor.
A filha da pastora, fez uma série de postagens em uma rede social onde relata as ameaças sofridas por sua mãe após a divulgação de notícias sobre o casamento.
“Minha mãe é a pastora Odja Barros, doutora e teóloga feminista há mais de 20 anos. Desde a veiculação da notícia de que celebrou um casamento homoafetivo vem sofrendo uma enxurrada de comentários e ameaças no seu Instagram. O ódio religioso é terrível”, lamentou a jovem.
“A minha mãe recebeu ameaça de morte no Instagram dela. Um louco que se diz de Maceió, mandou foto de arma, áudios dizendo que estava monitorando ela e a família, que vai dar cinco tiros na cabeça dela por celebrar um casamento homoafetivo”, afirma a filha da pastora.
Para o pastor Wellington, a ameaça é ainda mais chocante por se estender às filhas do casal. “Estamos tomando todas as providências para que isso não siga adiante. Que pessoas são essas que ameaçam de morte pela fé?”, questiona.
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