A febre da desigualdade que na África mata mais do que o Covid

Foto: AusAID | Flickr CC

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08 Outubro 2021

 

"A vacina contra a malária, nos informam, ainda tem uma eficácia limitada; é adequado apenas para crianças menores e apenas para certos tipos de parasitas. Não marcará o fim da era dos mosquiteiros e dos inseticidas. Mas vai salvar muitas vidas jovens: 260 mil crianças africanas foram vítimas de malária em 2019. O mundo será um pouco menos desigual", escreve Pietro Veronese, em artigo publicado por La Repubblica, 07-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A malária é - esperamos poder escrever em breve “foi” - a doença da desigualdade.

A ciência tende a alertar-nos de semelhantes interpretações ideológicas, explicando-nos com argumentos médicos as razões complexas que tornaram a pesquisa de vacinas tão árdua e longa, que durou mais de um século.

Mas os fatos estão aí. Quase 230 milhões de casos em todo o mundo a cada ano; mais de 400 mil mortos. E mais de 9 em cada 10 deles são africanos. Devemos acrescentar que a maior parte desses mais de 90 por cento são crianças, pequenas e muito pequenas. Vítimas de uma picada de Plasmodium falciparum que seu organismo frágil, talvez já enfraquecido por outras infecções ou deficiências nutricionais, é incapaz de combater. Agora, expliquem à mãe que a falta de remédio para sua criança não se deve ao desinteresse do mundo, mas sim às dificuldades da ciência médica.

 

Foto: Divulgação

 

Ela perguntará por que para o Covid 19 - que nos primeiros 16 meses da pandemia causou 134.600 vítimas confirmadas em todo o continente africano (dados do Instituto Superior da Saúde) - já foi encontrada uma vacina há tempo, aliás quatro ou cinco. E se a ciência permaneceu impotente até agora, e não se tratou de escassez de fundos disponibilizados para a pesquisa, ou de falta de interesse das empresas farmacêuticas, por que então o escândalo do incessante massacre da malária não ganha destaque nos jornais e noticiários?

A malária foi por séculos uma doença fatal, mesmo em nossas latitudes. As histórias e fábulas contadas pelos idosos à minha geração quando eu era criança eram repletas de "febre terçã" e "febre quartã"; mas as gerações subsequentes não sabem mais o que essas expressões significam e está tudo bem. Os africanos, por outro lado, continuam a conviver com ela, a malária para eles é um fato da vida. Os adultos às vezes acabam pegando a febre: sabem o que é, se tiverem uma renda aceitável, podem conseguir medicamentos bons e eficazes.

E agora já estão meio imunizados. Para as crianças, no entanto, e para as que não têm recursos, a situação pode ser muito pior. A malária continua a ser uma doença feroz dos pobres, que se alastra no mais pobre dos continentes. A vacina, nos informam, ainda tem uma eficácia limitada; é adequado apenas para crianças menores e apenas para certos tipos de parasitas. Não marcará o fim da era dos mosquiteiros e dos inseticidas. Mas vai salvar muitas vidas jovens: 260 mil crianças africanas foram vítimas de malária em 2019. O mundo será um pouco menos desigual.

 

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