Coca-Cola em primeiro lugar, depois Pepsi e Nestlé: os grandes responsáveis pela poluição por plástico

Foto: Pixabay

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14 Dezembro 2020

O plástico é um dos materiais mais poluentes. Agora, reduzido em partículas microscópicas, ele já chegou a todos os lugares, incluindo as neves das geleiras do Himalaia. Ele entrou no ciclo biológico de muitíssimos animais e também é comido por nós, humanos: um estudo encomendado pelo World Wildlife Fund (WWF) descobriu que ingerimos mais de cinco gramas de plástico por semana, e é recente a notícia de que os microplásticos foram encontrados até na placenta humana.

A reportagem é de Mariella Bussolati, publicada por Business Insider, 11-12-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um relatório do Break Free From Plastic, movimento internacional que visa a livrar o mundo desse material, encontrou os principais culpados: são a Coca-Cola, a Pepsi e a Nestlè, seguidas pela Unilever, Philip Morris e Colgate Palmolive.

Aquilo que resta dos seus produtos que são comprados em todo o mundo é o principal responsável pela degradação da terra e do mar.

Todos os anos, 15.000 voluntários analisam as marcas presentes nos resíduos. Neste ano, eles coletaram 346.494 fragmentos em 55 países. E graças a tampas, etiquetas, rótulos, eles traçaram a sua proveniência.

A Coca-Cola é a número um e, sozinha, soma mais do que as duas segundas da classificação, ou seja, a Pepsi e a Nestlé. Foram encontrados 13.834 restos com o seu logotipo em 51 países. A empresa produz três milhões de toneladas de plástico por ano, o equivalente a 200.000 garrafas por minuto. A Pepsi foi encontrada em mais de 5.000 peças em 43 países, enquanto a Nestlé, em mais de 8.000 em 37 países.

Os dados são todos crescentes em comparação com as pesquisas realizadas nos últimos anos.

Em março, a Tearfund, uma agência cristã internacional de ajuda e desenvolvimento, descobriu que a Coca-Cola, a Pepsi, a Nestlé e a Unilever são as responsáveis por uma poluição por plástico que soma 500.000 toneladas em países pobres.

No ranking da Break Free From Plastic, também aparecem a Mondelēz International, uma produtora de lanches prontos, a Mars, a Procter and Gamble e a Perfetti Van Melle, fabricante de doces.

Mas há diferenças regionais: na China, por exemplo, a Nestlè supera a Coca-Cola, e na América do Sul a Pepsi chega em primeiro lugar.

Ainda mais alarmante é a avaliação de que esse tipo de plástico descartável pode dobrar até 2030 e triplicar até 2050.

O plástico é um dos problemas ambientais mais graves do momento. Por outro lado, ele é fabricado com petróleo e faz parte do mesmo tipo de contaminação. Ele permanece no local por milhares de anos e, enquanto isso, emite toxinas que adoecem plantas e animais.

Embora esforços consideráveis tenham sido feitos nos últimos 20 anos para tentar mitigar o seu impacto, obrigando todos a reciclá-lo e tentando introduzir a proibição do uso único, a sua produção continua aumentando. Em 2018, ela chegou a 360 milhões de toneladas, 3,2% a mais do que no ano anterior, metade das quais para objetos descartáveis, como sacolas, copos e canudos. Mais de oito milhões são despejados nos oceanos.

Os produtos mais frequentemente recolhidos são, em primeiro lugar, os pacotes nos quais se vendem salgadinhos e balas, cosméticos e molhos como ketchup, depois as bitucas de cigarro, seguidas de copos e xícaras, garrafas para bebidas, folhas de proteção para os alimentos, recipientes de detergentes, xampus e cremes. Muitas máscaras e luvas também apareceram neste ano.

Enquanto nos países do Norte, onde existe uma coleta organizada de resíduos, o plástico é menos perceptível, nos países do Sul ele é visível por toda a parte. Para produzi-lo, são consumidos 14% da produção mundial de petróleo e gás. As estimativas preveem um aumento de 40% até 2030.

De acordo com a Environmental Investigation Agency e o Greenpeace, a quantidade de objetos embalados em plástico está aumentando progressivamente. Mais de 91% de todos os resíduos plásticos não são reciclados e vão para incineradores ou acabam na natureza. Para o ano que vem, estima-se que mais de 500 bilhões de garrafas serão vendidas, e 450 bilhões não serão recicladas.

Apesar da pressão dos ambientalistas, a Coca-Cola anunciou no início deste ano que não abandonará as garrafas plásticas, porque os consumidores as desejam. Em todo o caso, a maioria das multinacionais envolvidas está tentando usar um traje verde.

Sete dos principais poluidores – Coca-Cola, Pepsi, Nestlè, Unilever, Mondelēz, Mars e Colgate Palmolive – se uniram no Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, uma iniciativa que se propõe a mudar o sistema do plástico. No entanto, os signatários se limitaram a reduzir o uso do plástico virgem em 0,1%.

Nas declarações que concedem à mídia, eles se mostram sempre muito preocupados com os danos que podem causar, mas o seu compromisso se limita a usar mais produto reciclado ou a tentar fazer com que todas as garrafas sejam devolvidas. A Pepsi propôs a possibilidade de ter um serviço de refil.

Apesar dos esforços, porém, ainda é uma grande quantidade de itens que, sejam eles de plástico reciclado ou não, viajam e acabam por toda a parte, porque não custam nada, têm pouco valor e sempre os consideramos como lixo, em vez de entender que são memórias que permanecem e prejudicam.

 

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