Cordel. A memória de Dom Moacyr Grechi

Dom Moacyr Grechi. | Foto: Reprodução

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

25 Julho 2019

Reproduzimos a seguir o cordel de Sônia Cabra em homenagem a Dom Moacyr Grechi, falecido no dia 17 de junho de 2019.

 

Cordel sobre Dom Moacyr

 

Uma tragédia no Acre ocorreu

Um avião em Sena Madureira caiu

O Estado todo se comoveu

A prelazia do Acre e Purus ficou de luto

Dom Giocondo, Bispo prelado faleceu.

 

Dom Giocondo era da Família dos Servos de Maria

Bispo jovem, cheio de ideal

De fazer valer a proposta do vaticano II

Que participou de forma integral

O mais jovem bispo conciliar

Morre naquele acidente fatal.

 

Ao receber a triste notícia

Da morte do seu querido irmão

Frei Moacyr Grechi se comove

E um sentimento estranho lhe invade o coração

Aquela notícia parecia dizer algo mais

Era Deus lhe chamando para mais uma missão.

 

Em 1972, o Papa Paulo VI o consagra Bispo

E o envia para a Prelazia do Acre e Purus

Em 1973, Moacyr assume a prelazia

Num período difícil. De muita cruz

Em plena ditadura Militar

Ele faz ressoar o Evangelho de Jesus.

 

Um Evangelho encarnado na vida do povo

Onde fé e vida caminham unidas

Dom Moacyr sentiu a dor de seu rebanho

Gente explorada e perseguida

Os conhecidos Povos da Floresta

Gente maltratada sofrida e excluída.

 

Dom Moacyr estava sempre próximo de sua gente

Era destemido nos desafios da missão

Enfrentava rios, varadouros e até jagunços

Para anunciar o Evangelho da libertação

Sempre atento e bem humorado

Vivia intensamente sua vocação.

 

Foi o Pai entusiasta das CEB’s

Onde muita liderança ele suscitou e deu formação

Fez com que gente simples, fazendo coisas pequenas

Passasse a acreditar em lugares pouco importantes

Se tornarem instrumento de transformação.

 

Passou por momentos difíceis

De ameaça e assassinato de índios e seringueiros

Onde o latifúndio destruía e matava 

Na busca desenfreada do lucro e do dinheiro

A floresta era tombada pra pôr o pasto

Povo da Floresta, expulsos por grileiros.

 

Nesse período de martírio

Tombaram Chico Mendes, Ivair Higino e Wilson Pinheiro

Com os empates os seringueiros defendiam a floresta

Que era destruída pelo fazendeiro

Dom Moacyr continuava firme na verdade do Evangelho

Que salva o homem por inteiro.

 

É nesse cenário de morte

Que Dom Moacyr tem uma iluminação

De incentivar a criação da CPT e do CIMI

Organismos de fé e Ação

Em defesa dos pequenos e oprimidos

Por fraternidade, paz e libertação.

 

Era pastor que conhecia suas ovelhas

Sabia o nome e a família a quem pertencia

Na cidade ou nos varadouros e rios

Das pessoas ele não esquecia

Falava sempre de seu amor a Nossa Senhora

E do poder de uma Ave Maria.

 

Apaixonado pelas Bem Aventuranças

Sabia de cor e as praticava

Tinha uma homilia inconfundível

Que tocava os corações quando falava

Do grande amor de Deus pro seu povo

Seu jeito de falar encantava.

 

A Diocese de Rio Branco – Acre

Em preparação ao seu centenário

Louva a Deus por ter tido Dom Moacyr

Como amigo, Bispo, mestre libertário

Foram 26 anos que ficaram na história

Louvado seja Deus pro esse grande missionário.

 

Ele voltou ao Pai Eterno

Pra quem viveu sua vocação

Nossos corações choram de saudade

Também aumenta a responsabilidade na missão

Continuar firmes no que ele ensinou

De voltar as fontes sempre buscando libertação.

 

Leia mais