Quando Óscar e Valeria ainda não tinham migrado

Rio Bravo, no México. Foto: Wikicommons

Mais Lidos

  • Aumento dos diagnósticos psiquiátricos na infância, sustentado por fragilidades epistemológicas e pela lógica da detecção precoce, contribui para a medicalização da vida e a redefinição de experiências comuns como patologias

    A infância como problema. Patologização e psiquiatrização de crianças e adolescentes. Entrevista especial com Sandra Caponi

    LER MAIS
  • A visita de Rubio ao Papa foi marcada por sorrisos e desentendimentos: confrontos sobre Cuba e Irã

    LER MAIS
  • Leão XIV: o primeiro ano de um papa centrista. Artigo de Ignacio Peyró

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

28 Junho 2019

El Salvador aguarda os corpos do pai de família e da filha de um ano que morreram tentando atravessar o rio Bravo rumo aos Estados Unidos.

A reportagem é de J. Lafuente, publicada por El País, 27-06-2019.

Óscar e a filha Valeria posam, em uma de suas últimas fotos juntos, com um sorriso tímido. Ela acabava de completar um ano e usava uma touca rosa. Ele, então com 24 anos, a abraça e a segura entre as pernas. A imagem foi divulgada depois de outra fotografia deles, mostrando seus corpos de bruços, afogados em um rio, ter dado a volta ao mundo como amostra do drama migratório que vivem milhares de centro-americanos que tentam chegar aos Estados Unidos. Do tratamento muitas vezes desumano que recebem, primeiro no México e depois no vizinho do norte, onde o endurecimento das políticas migratórias provocou alarme.

Filippo Grandi, comissário-geral do ACNUR, a agência para refugiados da ONU, ressaltou que a morte do jovem salvadorenho e de sua filha são consequência dos fracassos dos Governos que não conseguiram enfrentar a crise migratória. “As mortes de Óscar e Valeria representam o fracasso na hora de conter a violência e o desespero que empurra essas pessoas a empreenderem perigosas viagens em busca de uma vida segura e digna”, afirmou Grandi.

Os dois, junto com Tania, a mulher e mãe da menina, partiram para o México no começo de abril. Passaram algum tempo em Tapachula, onde obtiveram um visto humanitário graças à política de portas abertas com a qual o governo de López Obrador iniciou o mandato de seis anos. Uma linha que mudou depois das ameaças de Trump e obrigou o presidente mexicano a endurecer as políticas migratórias, o que nas últimas semanas levou a um agravamento das imagens e das condições de vida tanto na fronteira sul quanto na norte, onde os dois salvadorenhos morreram. A família de Óscar e Valeria aguardava nesta quinta-feira em El Salvador o repatriamento dos corpos. O presidente Nayib Bukele se comprometeu a arcar com as despesas depois que um dos membros da família pediu ajuda.

Leia mais