Papa Francisco: “A ira de Deus se abaterá contra aqueles que falam de paz e vendem armas para fazer essas guerras"

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11 Junho 2019

"Gritam as pessoas em fuga apinhadas em navios, em busca de esperança, sem saber que portos poderão recebe-las na Europa, uma Europa que, no entanto, abre os portos para embarcações que vão carregar armamentos sofisticados e caros, capazes de produzir devastações que não poupam nem as crianças". Assim, o Papa Francisco denunciou o que ele próprio definiu uma verdadeira "hipocrisia" do Velho Continente. Bergoglio falou sobre isso ao receber no Vaticano os participantes na reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais. O papa também confidenciou sua "vontade de ir ao Iraque no próximo ano", esperando que o país "possa olhar para frente através da pacífica e compartilhada participação para a construção do bem comum de todos os grupos inclusive religiosos da sociedade, e não volte a cair em tensões que vêm dos intermináveis conflitos das potências regionais”.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 10-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em seu discurso, Francisco pediu para "ouvir o grito de tantos que nos últimos anos tiveram sua esperança roubada: penso com tristeza, mais uma vez, ao drama da Síria e nas nuvens densas que parecem engrossar em algumas áreas ainda instáveis e onde o risco de uma crise humanitária ainda maior permanece alto. Aqueles que não têm comida, aqueles que não têm assistência médica, que não têm escola, os órfãos, os feridos e viúvas elevam suas vozes para o alto. Se os corações dos homens são insensíveis, não o é o coração de Deus, ferido pelo ódio e pela violência que pode se desencadear entre as suas criaturas, sempre capaz de se comover e cuidar deles com a ternura e a força de um pai que protege e que orienta. Mas - acrescentou o Papa - às vezes penso também na ira de Deus que se abaterá contra os responsáveis dos países que falam de paz e vendem armas para fazer essas guerras. Essa hipocrisia é um pecado".

O olhar de Bergoglio concentrou-se, depois, na Terra Santa, exatamente cinco anos depois do histórico encontro pela paz que foi realizado no Vaticano com os líderes israelenses e palestinos. “Espero - afirmou o Papa - que o recente anúncio de uma segunda fase de estudo da restauração do Santo Sepulcro, que vê lado a lado as comunidades cristãs do status quo, seja acompanhado pelos sinceros esforços de todos os atores locais e internacionais para que se chegue em breve a uma pacífica convivência no respeito de todos aqueles que habitam aquela terra, sinal para todos da bênção do Senhor".

Aos membros das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais, Francisco recordou que "junto com as lamentações e o choro, vocês ouvirão nestes dias vozes de esperança e consolação: são os ecos daquela incansável obra de caridade que é tornada possível também através de cada um de vocês e dos organismos que vocês representam. Ela manifesta o rosto da Igreja e contribui para torná-la viva, em particular alimentando a esperança para as jovens gerações. Os jovens têm o direito de ouvirem a anunciação da palavra fascinante e exigente de Cristo e, como tivemos a oportunidade de compartilhar durante a assembleia do Sínodo dos Bispos em outubro passado, quando se deparam com uma testemunha autêntica e confiável, não têm medo de segui-la e se questionar sobre a própria vocação". Do Papa parte o convite para "continuar e aumentar o empenho para que nos países e nas situações que vocês sustentam os jovens possam crescer em humanidade, livres de colonizações ideológicas, com o coração e a mente abertos, apreciando suas raízes nacionais e eclesiais e desejosos de um futuro de paz e de prosperidade, que não deixa ninguém para trás e ninguém discrimina".

Encontrando-se, sucessivamente, com os participantes do encontro mundial dos capelães da aviação civil, Bergoglio acrescentou: "Não posso deixar de mencionar os migrantes e refugiados que chegam aos principais aeroportos com a esperança de poder pedir asilo ou encontrar um abrigo, ou que são bloqueados em trânsito. Eu sempre convido as Igrejas locais - foi o apelo do Papa - ao devido acolhimento e solicitude em relação a eles, mesmo que seja uma responsabilidade direta das autoridades civis. Também faz parte da vossa pastoral assegurar que seja sempre tutelada a sua dignidade humana e sejam salvaguardados os seus direitos, no respeito da dignidade e das crenças de cada um. As obras de caridade destinadas a eles são um testemunho da proximidade de Deus a todos os seus filhos".

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