‘Floresta é alimento, remédio e cosmético’

Floresta amazônica. | Reprodução: Internet

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24 Abril 2019

Assista à apresentação de Raimunda Rodrigues, liderança extrativista do Rio Iriri na Terra do Meio (PA), e Marcelo Salazar (ISA) no seminário FRUTO e conheça a força do conhecimento tradicional da produção que mantém a floresta em pé.

A reportagem é de Roberto Almeida, publicada por Instituto Socioambiental (ISA), 18-04-2019. 

Raimunda Rodrigues, da Associação de Moradores da Reserva Extrativista Rio Iriri, na Terra do Meio (PA), pisou pela primeira vez em São Paulo em janeiro deste ano para, logo em seguida, subir ao palco de um dos maiores eventos sobre alimentação do país.

Ao lado de Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental, Rodrigues apresentou no seminário internacional FRUTO - Diálogos do Alimento seu trabalho na miniusina multiprodutos da comunidade Rio Novo, onde processa e embala castanha-do-Pará, farinha de babaçu, óleos e outros produtos.

“Nós não vivemos da floresta. Nós somos a floresta. Sem nós por lá, a floresta não consegue ficar em pé. Cada coisa que nós tiramos da floresta é para nosso alimento, e o alimento é remédio”, disse Rodrigues.

“Como vocês veem essa mulher forte, que carrega três latas de castanha nas costas? O que é? É o produto da floresta! E o cabelo assim? É o óleo do babaçu”, afirmou a gestora da miniusina. “Eu me mantenho da floresta. É alimento, remédio e cosmético.”

Segundo Marcelo Salazar, o trabalho como o de Rodrigues ajuda a proteger a Amazônia. “Quando esses povos manejam castanha na floresta, vão longe. Ao entrar na floresta, são os primeiros a enxergar invasores. Os primeiros a perceber mudanças do clima”, afirmou.

“A gente não sabe muitas vezes de onde veio uma castanha. Se quem produz é bem remunerado? Se está feliz na floresta? Essas questões precisamos nos fazer mais e mais. O valor dos produtos não está só nas propriedades que têm ou no sabor, mas na cultura que ele carrega, na proteção da floresta que ele carrega”, disse Salazar.

O seminário, organizado pelo chef Alex Atala e pelo produtor cultural Felipe Ribenboim, chancelado pelo Instituto ATÁ, reuniu protagonistas dos ramos da sustentabilidade, ciência, gastronomia e indústria, para debater como enfrentar os desafios da alimentação nos próximos anos.

Todas as palestras estão disponíveis aqui.

Pontes diretas com o mercado

Raimunda Rodrigues ainda aproveitou a estadia em São Paulo para visitar a fábrica da Wickbold, em Diadema (SP). A empresa de pães, que participa da iniciativa Origens Brasil, é a principal compradora da castanha-do-Pará produzida em sua região. Na visita, a gestora pode ver como o pão Grão Sabor com Castanha-do-Pará e Quinoa é produzidos e seguir a conversa com gestores e técnicos da empresa sobre qualidade e questões comerciais.

Rodrigues esteve, também, no Mercado de Pinheiros, na capital paulista, onde seus produtos são vendidos. Em conversa para inspirar os vendedores, contou sobre seu trabalho e trouxe a sua experiência de vida na Terra do Meio.

A gestora da miniusina ainda visitou no Mercado Municipal de São Paulo, onde lamentou a ausência de origem definida nas castanhas vendidas no local. Esteve também na loja de chocolates Dengo, no restaurante Futuro Refeitório e na padaria Fabrique, todos na capital paulista, para falar da Farinha de Babaçu, castanha desidratada e outros produtos da região da Terra do Meio e dialogar a respeito de possíveis parcerias.

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