Temer cai, Cármen Lúcia assume e o Judiciário confirma seu papel no golpe

Foto: Fernando Frazão, Agência Brasil | Wikimedia Commons

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02 Abril 2018

Dada a vulnerabilidade de Rodrigo Maia, eventual saída de Temer abre caminho para ministra, o que confirmaria a tese de que o Judiciário ocupa, no golpe de 2016, a posição dos militares no golpe de 1964, escreve Luis Felipe Miguel,  professor de Ciência Política da Universidade de Brasília, em análise sobre a conjuntura publicado por Rede Brasil Atual - RBA, 31-03-2018.

Eis a análise.

A nova investida contra Temer cumpre muitas funções (em ordem crescente de especulação):

1) Devolve à Lava Jato o poder absoluto sobre a produção da agenda política.

2) Serve de insígnia da pretensa "imparcialidade" da operação, que atinge a todos sem distinção – como se Temer tivesse, para a direita, uma fração da dimensão que Lula tem para a esquerda.

3) Relembra ao usurpador que ele é um simples instrumento da coalizão golpista e não deve tentar abrir as asinhas.

4) Dada a vulnerabilidade de Rodrigo Maia, a eventual saída de Temer abre caminho para o empossamento de Cármen Lúcia na presidência da República, o que confirmaria de vez a tese de que o Judiciário ocupa, no golpe de 2016, a posição que foi dos militares no golpe de 1964.

5) Com o aumento da instabilidade política, reforça-se a ideia noblatiana de que "não há condições" para a realização de eleições.

6) Com uma "magistrada" no Planalto, um governo extraordinário seria mais fácil de ser vendido como legítimo – e todos poderíamos dormir tranquilos, sob uma ditadura "de tipo romano".

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