Sei que bates à minha porta

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • O Papa Leão XIV se pronuncia sobre as ordenações da Fraternidade São Pio X e o acordo EUA-Irã

    LER MAIS
  • “O objetivo do testamento vital é ser nossa voz para quando perdemos a nossa voz”, afirma a pesquisadora

    O direito de viver com dignidade até o fim e fazer escolhas no processo de morrer. Entrevista especial com Luciana Dadalto

    LER MAIS
  • O prazer de ser bolsonarista: ira, emoções e a promessa de Dark Horse. Artigo de Guilherme da Silva Machado

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

04 Outubro 2017

"Dá-me esse dom de romper muros, divisões e barreiras, começando por buscar a ti que não cansas de bater à porta" escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista e assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo.

Sei que todos os dias bates à minha porta,

queres entrar, sentar à mesa, falar comigo;

sou eu que não sei o que fazer, ou melhor,

tenho medo de teu olhar límpido e transparente.

Deves insistir sobre esse convite ao encontro,

ensinar-me a superar o temor e tremor:

tenho urgente necessidade de tua presença,

e tu tudo fazes para encontrar-me e salvar-me;

se for necessário, libera um vendaval,

para superar essa porta que nos separa;

Sim, esqueço-me que jamais usas a força:

até as últimas consequências e implicações,

respeitas o dom da liberdade que nos destes;

tomas a iniciativa de vir à minha casa, é verdade,

mas sou eu que devo decidir em receber tua visita.

Dá-me esse dom de romper muros, divisões e barreiras,

começando por buscar a ti que não cansas de bater à porta:

“tu estavas em mim e eu estava fora de ti”, dizia Sto. Agostinho;

superado esse primeiro obstáculo, outros serão destruídos,

e poderei receber, além de ti, meus irmãos e irmãs.

Mas é preciso que me ajudes nesse processo,

não basta entrar em casa, deves ajudar-me a prepará-la:

teu olhar de luz deve iluminar seus cantos sombrios;

teu perdão deve desfazer a rede de teias de aranha,

que se infiltraram em minhas relações com os demais;

tua água viva deve limpar a sujeira oculta debaixo do tapete;

teu sorriso luminoso, como uma janela aberta,

deve renovar o oxigênio dos quartos, sala, cozinha...

Então, sim, podemos sentar à mesa da refeição,

e encontrar-nos, apesar da diferença abissal, insuperável:

a mesa logo se tornará altar, festa, banquete, eucaristia;

enquanto tua palavra alimenta meu espírito ressequido,

teu corpo eucarístico nutre e reforça minha fraqueza e debilidade.

Terei, assim, encontrado um farol e um porto seguro,

um refúgio, um abrigo, uma nova casa – uma pátria!

Poderei errar pelas estradas do êxodo, do deserto e do exílio,

pois disponho de uma bússola, um ponto de referência,

um sentido último para minha peregrinação sobre a face da terra.

Leia mais