Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações, músicas e versos de diferentes espiritualidades e religiões, mergulhamos no Mistério que são a absoluta transcendência e a absoluta proximidade.
Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo e colaborador do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Se eu fosse um padre
Se eu fosse padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos na Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
... e um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus.
Mário Quintana
...

Mário Quintana é um dos grandes poetas brasileiros do século XX. Nasceu na cidade de Alegrete em 30 de julho de 1906, e fez sua passagem em 1994, na cidade de Porto Alegre. É autor de várias obras importantes, como A rua dos cataventos (1940), Canções (1946), Sapato florido (1947), Aprendiz de feiticeiro (1950), Espelho mágico (1951). No ano de 1966 publica sua Antologia poética, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Saíram depois os livros: Caderno H (1973), Pé de pilão (1975) e Apontamentos de história sobrenatural (1976). Recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, em 1980.