Outro retrato. José Paulo Paes na oração inter-religiosa desta semana

Foto: Freepik

Mais Lidos

  • Missões 400 anos: “e a Igreja nem tá aí!” Artigo de Frei Luiz Carlos Susin

    LER MAIS
  • Kiev está em chamas. Os russos mobilizam uma força de ataque maciça contra a Ucrânia

    LER MAIS
  • “A decisão é clara: ou um regime desigualitário e depredador, ou a justiça social e a sustentabilidade ecológica". Entrevista com Laura Quintana

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

19 Março 2021

 

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – MG.

 

Outro retrato

O laço de fita
que prende os cabelos
da moça no retrato
mais parece uma borboleta.

Um ventinho qualquer
e sai voando
rumo a outra vida
além do retrato.

Uma vida onde os maridos
nunca chegam tarde
com um gosto amargo
na boca.

Onde não há cozinhas
pratos por lavar
vigílias, fraldas sujas
coqueluches, sarampos.

Onde os filhos não
vão um dia estudar fora
e acabam se casando
e esquecem de escrever.

Onde não sobram contas
a pagar nem dentes
postiços nem cabelos
brancos nem muito menos rugas.

Um ventinho qualquer...
O laço de fita
prende sempre – coitada - !
os cabelos da moça.

 

Fonte: José Paulo Paes. In: Eucanaã Ferraz (Org). A lua no cinema. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 37.

 

José Paulo Paes (Foto:Companhia das Letras)

José Paulo Paes (1926 - 1998): Foi poeta, ensaísta, crítico literário e tradutor paulista. O poeta também dedicou-se a escrever textos infantis. Entre suas obras, destacamos: Poemas reunidos (1961); Anatomias (1967); Meia Palavra (1973) e Resíduo (1980).