Não esquecer o que é essencial

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23 Outubro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Mateus 22,34-40, que corresponde ao 30° Domingo do ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto.

Não era fácil para os contemporâneos de Jesus ter uma visão clara do que constituía o núcleo da sua religião. Pessoas simples sentiam-se perdidas. Os escribas falavam de seiscentos e treze mandamentos contidos na lei. Como orientar-se numa rede tão complicada de preceitos e proibições? Em algum momento, a situação chegou a Jesus: o que é o mais importante e decisivo? Qual é o mandamento principal, o que pode dar sentido aos restantes?

Jesus não pensou duas vezes e respondeu recordando umas palavras que todos os homens judeus repetiam diariamente no começo e no fim do dia: «Escuta, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu ser». Ele próprio havia pronunciado naquela manhã estas palavras. A Ele ajudava-O a viver centrado em Deus. Isto era o principal para Ele.

Em seguida acrescentou algo que ninguém lhe tinha perguntado: «O segundo mandamento é: amarás o teu próximo como a ti mesmo». Nada é mais importante do que estes dois mandamentos. Para Jesus são inseparáveis. Não se pode amar a Deus e ignorar o seu próximo.

A nós ocorre-nos muitas perguntas. O que é amar a Deus? Como se pode amar alguém a quem nem sequer é possível ver? Ao falar de amor a Deus, os hebreus não pensavam nos sentimentos que podem nascer no nosso coração. A fé em Deus não consiste num «estado de ânimo». Amar a Deus é simplesmente centrar a vida nele para viver tudo desde a sua vontade.

Por isso, acrescenta Jesus o segundo mandamento. Não é possível amar a Deus e viver esquecido das pessoas que sofrem e a quem Deus ama tanto. Não existe um «espaço sagrado» no qual nos possamos «entender» a sós com Deus, de costas para os outros. Um amor a Deus que esquece os seus filhos e filhas é uma grande mentira.

A religião cristã resulta-nos hoje a muitos, complicada e difícil de entender. Provavelmente necessitamos na Igreja de um processo de concentração no essencial para nos desprendermos de acréscimos secundários e ficarmos com o importante: amar a Deus com todas as minhas forças e amar os outros como me quero a mim mesmo.

 

 

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