O clamor dos que sofrem

Fonte: periodistadigital.com/religion/

Mais Lidos

  • Flávio Bolsonaro diz que usará maioria no Congresso para mudar a Constituição e redemocratizar o país

    LER MAIS
  • Teólogo jesuíta italiano ministra terceira videoconferência do Ciclo A teologia da encarnação profunda (deep incarnation), promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, nesta quinta-feira, 08-10-2026, às 10h

    ‘Deep incarnation’ e o monismo relativo de Paolo Gamberini: “Nunca houve, não há e jamais haverá um Logos completamente separado da criação”

    LER MAIS
  • Ao analisar o colapso do pacto representativo, o professor adverte para os perigos ao sistema e defende a necessidade de projetos reais para reconquistar a esperança da sociedade

    Transe democrático: “Enquanto a extrema-direita for viável, eleições terão risco de desconstrução da ordem”. Entrevista especial com Luis Felipe Miguel 

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

14 Outubro 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 18,1-8 que corresponde ao 29° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

A parábola da viúva e do juiz sem escrúpulos é, como tantos outros, um relato aberto que pode suscitar nos ouvintes diferentes ressonâncias. Segundo Lucas, é uma chamada para orar sem desanimar-se, mas é também um convite para confiar que Deus fará justiça a quem lhe grita dia e noite. Que ressonância pode ter hoje em nós este relato dramático que nos recorda tantas vítimas abandonadas injustamente à sua sorte?

Na tradição bíblica a viúva é símbolo por excelência da pessoa que vive só e desamparada. Esta mulher não tem marido nem filhos que a defendam. Não conta com apoios nem recomendações. Só tem adversários que abusam dela, e um juiz sem religião nem consciência a quem não importa o sofrimento de ninguém.
O que pede a mulher não é um capricho. Só reclama justiça. Este é o seu protesto repetido com firmeza ante o juiz: “Faça-me justiça”. A sua petição é a de todos os oprimidos injustamente. Um grito que está na linha do que dizia Jesus aos seus: "Buscai o reino de Deus e a sua justiça".

É certo que Deus tem a última palavra e fará justiça a quem lhe grita dia e noite. Esta é a esperança que acendeu em nós Cristo, ressuscitado pelo Pai de uma morte injusta. Mas, enquanto chega essa hora, o clamor de quem vive gritando sem que ninguém escute o seu grito, não cessa.

Para uma grande maioria da humanidade a vida é uma interminável noite de espera. As religiões predicam Salvação. O cristianismo proclama a vitória do Amor de Deus encarnado em Jesus crucificado. Entretanto, milhões de seres humanos só experimentam a dureza dos irmãos e irmãs e o silêncio de Deus. E, muitas vezes, somos os mesmos crentes que ocultamos seu rosto de Pai velando-o com o nosso egoísmo religioso.

Por que é que a nossa comunicação com Deus não nos faz escutar por fim o clamor dos que sofrem injustamente e nos gritam de mil formas: «Fazei-nos justiça»? Se, ao rezar, nos encontramos de verdade com Deus, como não somos capazes de escutar com mais força as exigências de justiça que chegam até ao seu coração de Pai?

A parábola interpela-nos a todos os crentes. Seguiremos alimentando as nossas devoções privadas esquecendo quem vive no sofrimento? Continuaremos rezando a Deus para colocá-lo a serviço dos nossos interesses, sem que nos importem muito as injustiças que há no mundo? E se rezar fosse se esquecer de cada um e procurar do lado de Deus um mundo mais justo para todos?

Aprofunde sua reflexão...

O Reino de Deus e sua justiça

Uma fé que protesta

Rezar sempre e nunca desistir

Los pequeños nos enseñan


Acesse outros Comentários do Evangelho: clique aqui