Dalai Lama admite que conhecia os abusos sexuais de mestres budistas “desde os anos noventa”

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18 Setembro 2018

O líder religioso tibetano Dalai Lama reconheceu neste sábado, pela primeira vez, que estava ciente dos abusos sexuais por parte de mestres budistas “desde os anos noventa” e que “em 1993” já discutiu o tema com líderes budistas ocidentais.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 17-09-2018. A tradução é do Cepat.

Em uma entrevista com vários meios de comunicação neerlandeses, o Dalai Lama afirmou que os depoimentos e histórias que quatro vítimas holandesas e belgas lhe fizeram chegar, na última sexta-feira, em um encontro sem precedentes em Roterdã, “não são novos” para ele, porque “já sabia de todas estas coisas” há várias décadas.

Além disso, especificou que estava ciente das acusações contra Sogyal Rimpoché, um dos mestres budistas mais conhecidos e polêmicos, acusado desde 1992 de todos os tipos de abusos a seus alunos, em diferentes centros de retiro na Europa, especialmente no sul da França, país que está lhe investigando por esta questão.

O líder espiritual tibetano reiterou que a “autodisciplina é importante” para os mestres e que as vítimas destas humilhações “devem tornar públicas” suas histórias, destacando a identidade de seu agressor, para que assim “os mestres estejam preocupados por si se são humilhados” em público.

O Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz em 1989, está em uma visita de quatro dias na Holanda, na qual está previsto que ofereça várias palestras e discursos sobre ensinamentos budistas.

Na Holanda, onde existem entre 50.000 e 65.000 budistas, alguns dos estudantes eram menores de idade quando ocorreram os abusos, que não se limitaram a apenas um templo e foram registrados a partir dos anos 1970, segundo uma investigação do canal de televisão holandês NOS.

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