Relatório ‘O Estado das Aves no Mundo – 2018’ alerta que uma em cada 8 espécies de aves está ameaçada de extinção

Foto: ICMBio

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Abril 2018

Uma em cada oito aves está ameaçada de extinção no mundo. Das 11 mil espécies catalogadas, 40% podem desaparecer do planeta, segundo estudos da BirdLife Internacional, organização não governamental (ONG), que há cinco anos pesquisa o tema. A estimativa é de que nos próximos anos 500 espécies desapareçam. O relatório, intitulado O Estado das Aves no Mundo – 2018 alerta sobre o risco de extinção global. Sem a intervenção dos defensores dos animais, segundo a ONG, 25 espécies de aves teriam sido extintas nas últimas décadas.

A reportagem é de Renata Giraldi, publicada por Agência Brasil, 24-04-2018.

De acordo com o relatório, sabe-se mais sobre as aves do que sobre qualquer outro grupo comparável de animais. Isso porque eles são fáceis de observar, sendo relativamente grandes e visíveis; a maioria está ativa durante o dia e podem ser facilmente identificados no campo, à distância. Por serem tão conhecidos e encontrados em praticamente todos os habitats, as aves servem como termômetro importante para as mudanças ambientais.

As ameaças estão relacionadas a extração de madeira, espécies invasoras como gatos e ratos, à caça e também a agricultura intensiva que utiliza produtos químicos, como agrotóxicos e pesticidas que afetam a biodiversidade. De acordo com o relatório, 74% das aves no mundo estão em sofrimento.

Brasil

No caso do Brasil, o relatório chama a atenção para os estados da Amazônia e do Pará, que abrigam uma das maiores áreas remanescentes de floresta tropical do mundo e um número excepcionalmente grande de espécies de aves. A região, no entanto, está passando por uma rápida ampliação de sua malha viária, o que poderia ter consequências desastrosas para este ecossistema. Só no estado de Pará, estima-se que 27 mil quilômetros de estradas sejam construídas ou ampliadas até 2031. Novas estradas afetam diretamente as aves, que correm o risco de perder o habitat natural, serem atropeladas, além de serem afetadas indiretamente pela poluição.

De acordo com o relatório, a arara selvagem da espécie Spix’s macaw (Cyanopsitta spixii) conhecida como ararinha azul, desapareceu em seu habitat no Brasil, no final de 2000.

Por outro lado, o estudo elogia a iniciativa de ações como da reserva particular Águia Branca, no Espírito Santo, que atua como corredor para três parques estaduais: Forno Grande, Castelo e Pedra Azul. Na prática, a iniciativa protege espécies, como Tanager-de-garganta-cereja e mais 250 espécies, entre elas algumas ameaçadas.

Estudos

“Os dados são inequívocos. Estamos passando por uma deterioração constante e contínua do status das aves do mundo”, disse Tris Allinson, responsável pelo relatório e integrante da ONG BirdLife Internacional. “As ameaças que conduzem a crise da extinção das aves são muitas e variadas, mas invariavelmente estão associadas ao homem.”

“Embora o relatório forneça uma atualização moderada sobre o estado das aves e da biodiversidade e dos desafios futuros também demonstra claramente que existem soluções e que um sucesso significativo e duradouro pode ser alcançado”, disse Patricia Zurita, da BirdLife.

Na tentativa de reverter o quadro, especialistas sugerem uma série de ações e mudanças que precisam ser efetivas, como a restauração dos habitats das aves, a erradicação e o controle de espécies invasoras e o redirecionamento das espécies de aves mais vulneráveis para que sejam protegidas. O estudo completo em inglês pode ser acessado aqui.

Leia mais