“Não se vai à universidade por dinheiro ou carreira”, admoesta Francisco

Papa Francisco (Fonte: Flickr)

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28 Outubro 2017

Não se vai à universidade para obter “uma posição melhor, mais dinheiro ou maior prestígio social”, mas para amadurecer uma “maior responsabilidade” frente aos “problemas de hoje, da necessidade dos mais pobres, do cuidado com o meio ambiente”. Foi no que insistiu o Papa Francisco, durante uma audiência com a comunidade da Universidade Católica Portuguesa.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicado por Vatican Insider, 26-10-2017. A tradução é do Cepat.

Francisco recebeu professores e estudantes da universidade, acompanhados pelo Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, porque, explicou ele próprio, em sua recente viagem a Portugal esteve somente em Fátima e não pôde visitar o ateneu, que festeja seus 50 anos. Por este motivo, decidiu receber uma delegação no Vaticano.

“Por natureza e missão, vocês são ‘universidade’ – disse Jorge Mario Bergoglio, em um discurso em espanhol -, ou seja, abraçar o universo do conhecimento em seu significado humano e divino para garantir essa visão de universalidade sem a qual a razão, resignada aos modelos parciais, renuncia sua maior aspiração: perseguir a verdade”, disse o Papa.

Devido à grandeza “de seu conhecimento e de seu poder, a razão cede frente à pressão dos interesses e da atração da utilidade, acabando por reconhecê-los como seu último critério. No entanto, quando o ser humano se rende às forças cegas do inconsciente, das necessidades imediatas, do egoísmo, sua liberdade adoece. ‘Neste sentido, fica nu e exposto diante de seu próprio poder que segue crescendo, sem ter os instrumentos para controlá-lo. Pode dispor de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que lhe faltam uma ética adequadamente sólida, uma cultura e uma espiritualidade que realmente lhe deem um limite e o contenham dentro de um lúcido domínio de si’ (Laudato Si’)”.

“De fato, verdade significa mais que conhecimento: o conhecimento da verdade tem como objetivo o conhecimento do bem. A verdade nos faz bem e a bondade é verdadeira. É justo se perguntar: como ajudamos nossos estudantes a não ver o título universitário como sinônimo de uma melhor posição, de mais dinheiro ou de maior prestígio social? Não são sinônimos. Ajudamos a ver esta preparação como sinal de uma maior responsabilidade frente aos problemas de hoje, da necessidade dos mais pobres, do cuidado com o meio ambiente? Não basta fazer análise, descrever a realidade; é necessário gerar verdadeiros espaços de pesquisa, debates que geram alternativas para os problemas de hoje. Como é importante ser concretos!”.

Em seguida, o Papa recordou que a comunidade acadêmica da Universidade Católica Portuguesa é “católica” e “portuguesa”. Uma identidade católica que, destacou, citando a Veritatis Splendor de João Paulo II, ajuda seus membros a “compreender a dimensão moral, espiritual e religiosa em sua pesquisa e a avaliar as conquistas da ciência e da tecnologia na perspectiva de toda a pessoa humana”, para evitar, desta maneira, abraçar uma religião equivocada, que “estabelece como último critério a pressão dos interesses e a atração de utilidades”.[

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