“Há pessoas que rejeitam a Jesus por culpa nossa, crentes Nele”, afirma arcebispo de Dublin

Fonte: Religión Digital

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Abril 2017

Diarmuid Martin tem a fama de ser um dos bispos irlandeses que mais claro falam. O arcebispo de Dublin tampouco decepcionou nesta Semana Santa, dando à Sexta-Feira Santa um sentido de mea-culpa pela Igreja que lidera. “Há pessoas que rejeitam a Jesus por culpa nossa, crentes Nele”, afirmou no percurso da Via-Sacra, no Parque Phoenix.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 18-04-2017. A tradução é do Cepat.

O prelado acertou em cheio nas razões pelas quais cada vez menos dublinenses comparecem à missa. Uma tendência que Martin trabalha duramente para mudar, desde que chegou à Arquidiocese, em 2004.

“Os escândalos dentro da Igreja, amargura e divisão, ritual vazio, uma falsa cultura clerical de superioridade, críticas a pessoas que Jesus teria acolhido: tudo isto contribuiu para anuviar as possibilidades de muitos em reconhecer o verdadeiro Jesus”, clamou o prelado, na última sexta-feira. Denúncia para a qual, como recordou, tem o pleno respaldo do atual pontífice. “O Papa Francisco adverte constantemente contra o perigo de uma Igreja que só olha para dentro, protetora da instituição, arrogante, ao invés de misericordiosa”, afirmou.

E em que consiste, segundo Martin, esta arrogância eclesial que foi a responsável para que tantos e tantas tenham virado as costas para a Igreja? Em resumidas palavras, uma atitude muito crítica e moralizante – ao invés de uma acolhedora e hospitalar – e um comportamento muito áspero e não includente.

“Como podem a Igreja e suas instituições terem sido... tão críticas às pessoas destroçadas que se as confiou, e tê-las tratado com tanta dureza?”, perguntou-se Martin. “Como podemos ter usado a doutrina e a maneira misericordiosa de tratar os pecadores para justificar a exclusão?”. Em seguida, o prelado rezou por toda uma série de pessoas que, em sua avaliação, foram alvo da indiferença da Igreja, mas que merecem um tratamento melhor, por ter sido a Igreja que se equivocou com elas: “as mães solteiras, que queriam ficar com um bebê que amavam, as pessoas LGBT, os órfãos...”.

Jesus foi exigente com o que esperava de seus seguidores, mas nunca foi um moralista estreito de visão, que desejava que as pessoas pensassem que era melhor que elas”, ressaltou Martin, por último, na Sexta-Feira Santa.

Denúncia ao catolicismo vivido como uma “fé de proibições”

O arcebispo de Dublin retomou este honesto exame de consciência dos pecados da Igreja em sua homilia da Vigília Pascal. Sermão que dedicou a denunciar um catolicismo que se vive como uma “fé de proibições” ou uma “religião do medo”, em contraposição à mensagem de “vida nova” trazida por Jesus Cristo.

Fazendo menção às experiências que muitas pessoas, historicamente, tiveram da Igreja, Martin falou de como durante muitos anos o cristianismo girava em torno das negativas e restrições, ao invés da “libertação” destacada pelo sepulcro vazio.

“Certas teologias falavam em libertar as pessoas do pecado, mas desenvolveram um conceito de pecado e pecador que tornou impossível que um penitente se sentisse verdadeiramente libertado”, lamentou o arcebispo. “Havia tantas regras, que deixaram muitos com um sentido de escrupulosidade, que lhes tornaram presos e oprimidos pela culpa e as dúvidas”, continuou.

Toda esta angústia e perturbação desencadearam, observou Martin, uma “religião do medo”, até o ponto em que “mesmo quando tentávamos viver uma boa vida, não permanecia nenhuma sensação de liberdade”.

“Podíamos encontrar as pessoas que observavam todas as normas e ainda eram os pecadores mais graves, devido à maneira como viviam”, recordou o arcebispo. “Podíamos encontrar pobres pecadores que falharam uma vez e outra, mas sua luta foi a de ser pessoas que amam, e perceberam que a mão do Senhor sempre estava ali para levantá-los, de modo que puderam se colocar de pé novamente e manter a cabeça erguida”. Eis aqui, segundo Martin, o segredo da mensagem da Ressurreição. É o “amor especial” de Deus, que chega em Jesus Cristo até todos os pecadores. “Como cristãos somos chamados a viver a renovação da vida”, recordou o prelado. “Uma vida que se baseia na integridade e na verdade, na honestidade e no amor”. Integridade, verdade, honestidade, amor: todas qualidades que os fiéis dublinenses apreciaram nesta Páscoa, com as palavras de seu pastor.  

Leia mais