Grão-Mestre da Ordem de Malta renuncia a pedido do Papa

Imagem: Ordem da Cruz

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26 Janeiro 2017

“O Papa pediu a ele que renunciasse, e ele aceitou”. A saída do Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, acabou momentaneamente com o insólito conflito entre a Ordem e o Vaticano provocado pela controversa saída de seu ex-Grão-Chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager, segundo comunicou nesta quarta-feira um porta-voz da instituição.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 25-01-2017. A tradução é de André Langer.

De acordo com a Reuters, na terça-feira o Papa reuniu-se com Festing, inglês de 68 anos colocado à frente da Ordem em 2008, e pediu a ele que renunciasse à liderança da organização que se dedica atualmente a trabalhos humanitários. O fato de que o Grão-Mestre renuncia dessa maneira ao seu cargo é um passo fora do comum, já que o cargo é de caráter vitalício.

O porta-voz da Ordem acrescentou que o próximo passo a ser tomado após a saída de Festing é a convocação de uma reunião do Conselho Soberano na qual os membros deste órgão irão aprovar a renúncia, algo que, de acordo com o representante, será apenas uma formalidade. Até a eleição de um novo Grão-Mestre, acrescentou, a Ordem será administrada pelo Grão-Comendador da mesma, Ludwig Hoffmann von Rumerstein.

A controvérsia na cúpula da Ordem começou com a saída sumária de Von Boeselager no começo de dezembro do ano passado. O já ex-Grão-Mestre Festing e o cardeal patrono da Ordem, Raymond Burke, acusaram Von Boeselager de ter deixado que o braço humanitário da ordem distribuísse preservativos em países do Terceiro Mundo, e asseguraram que o Papa Francisco queria que abandonasse o seu cargo. Alegação que faltou com a verdade, como depois de descobriu.

O Vaticano criou uma comissão no final de dezembro para investigar as circunstâncias da saída de Von Boeselager, o que provocou a ira de Festing. A referida criação da comissão pareceu-lhe ser uma violação da soberania da Ordem. Em um desafio inédito à autoridade do Papa, Festing qualificou o grupo investigador como ilegítimo e pediu que os membros da ordem não consentissem sua colaboração.

Von Boeselager e vários outros presidentes dos ramos nacionais da Ordem de Malta mantiveram desde o início que as alegações de que consentisse tal violação da doutrina da Igreja, como o uso e distribuição de anticoncepcionais, eram uma montagem. Uma conspiração tramada por Festing e Burke – o cardeal ultraconservador à frente da oposição a Francisco – e projetada para que tivessem mais poder.

Desde que o Papa tomou conhecimento da suposta distribuição de preservativos chamou insistentemente ao diálogo para resolver a controvérsia. Mas que Festing e Burke deturparam a sua vontade até o ponto em que quiseram apresentar a saída de Von Boeselager como sendo vontade dele [do Papa], o que foi a gota d’água que faltava.

A decisão de Francisco de pedir a renúncia de Festing coloca a continuidade de Burke como cardeal patrono firmemente em dúvida. Significa que o Papa aceitou as alegações de Von Boeselager sobre as circunstâncias da sua saída. Sendo assim, é de se supor que o cardeal ultraconservador está com os seus dias contados na Ordem de Malta.

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