Em defesa da CNBB: contra a PEC 241

Foto: CNBB

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Novembro 2016

A nota da CNBB contra a PEC 241 é “uma defesa da Constituição, uma defesa da cidadania, uma defesa dos direitos dos mais pobres”, escreve Ivo Lesbaupin, sociólogo, professor da UFRJ, coordenador da ONG Iser Assessoria.

Eis o artigo.

Hoje (dia 21), o jornal O Globo publicou artigo do Sr. Eurico Borba criticando a nota da CNBB contra a PEC 241. Durante a ditadura militar que assolou o nosso país, várias foram as vezes em que escreveram contra a CNBB quando ela se levantava em defesa dos direitos humanos, contra a tortura, pela liberdade. Queriam ensinar o padre-nosso ao vigário. Hoje, o artigo deste Sr. está fazendo a mesma coisa.

A nota da CNBB não defende uma posição político-partidária. É uma defesa da Constituição Cidadã de 1988 que a PEC 55 (antiga PEC 241) pretende demolir. A PEC 55 não pretende salvar o Brasil, não pretende dar um jeito na situação econômica lamentável que vive o nosso país. Ela não pretende reduzir os gastos excessivos do Estado brasileiro: ela pretende reduzir apenas os gastos sociais – saúde, educação, assistência social, etc. O maior gasto público do país é com a dívida pública e seus juros (42%, segundo os cálculos da Auditoria Cidadã da Dívida). Não há nesta PEC nenhuma referência à limitação destes gastos. Os juros da dívida pagos em 2015 foram 500 bilhões de reais. Quem os recebeu? Apenas a camada mais rica da sociedade. Com a PEC 55, os ricos vão continuar a receber estes juros: dinheiro público que é transferido apenas para os que não precisam (banqueiros e rentistas). Não se fala sequer em reduzir os juros – que são os mais altos do mundo (enquanto, nos países desenvolvidos, eles giram em torno de 0 a 1%).

A PEC 55 quer cortar gastos em saúde, educação, assistência, para tirar da maioria da população (os mais pobres, os menos ricos) e garantir o pagamento dos juros aos mais ricos. Ela não vai reduzir o desemprego, ao contrário, vai aumentá-lo. Hoje, pela Constituição, o Estado é obrigado a atender ao conjunto dos cidadãos, especialmente dos mais pobres: com a PEC 55, esta obrigação vai cair. Mas continuará a obrigação de pagar os juros aos mais ricos. A PEC 55 é uma proposta de emenda à Constituição em favor da elite abastada da sociedade.

É contra esta injustiça que se levanta a nota da CNBB. É uma defesa da Constituição, uma defesa da cidadania, uma defesa dos direitos dos mais pobres. É isso que se espera de verdadeiros pastores.

Leia mais