Urna eletrônica. “É um suicídio para as eleições”

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28 Outubro 2016

“É uma loucura absoluta, já que é muito fácil manipulá-la”, assegurou Julian Assange em uma videoconferência com especialistas argentinos. Disse que os controles não dão certezas.

A reportagem é publicada por Página/12, 27-10-2016. A tradução é de André Langer.

O criador do Wikileaks, Julian Assange, defendeu que a utilização do voto eletrônico – que na Argentina já obteve meia aprovação no Congresso – para eleições presidenciais é “uma loucura absoluta, já que é muito fácil manipular” a urna eletrônica. Em uma videoconferência organizada pela Conferência Internacional de Software Livre, o exilado na Embaixada do Equador em Londres afirmou que “como especialista em segurança, o voto eletrônico é um suicídio para eleições nacionais. A criptografia é facilmente modificável”.

“Além disso, as pessoas que votarem nas eleições não podem saber se os controles que supostamente existem, realmente serão estabelecidos. Para uma votação presidencial, o voto eletrônico é uma loucura absoluta”, explicou o informático australiano.

Entre interrupções e cortes na transmissão, Assange também tratou de esclarecer por que é tão complexo fazer uma comunicação a partir da Embaixada onde se encontra recluso há mais de quatro anos. “Já há algumas semanas, o serviço de internet foi desconectado a pedido do governo do Equador até que terminem as eleições de Trump contra Clinton. Acontece que os Estados Unidos, junto com a Grã-Bretanha e a Suécia, pressionam o Equador, país sumamente pequeno, sabendo, além disso, que as publicações do Wikileaks não se dão naquele país, mas na França, na Alemanha e na Noruega. Por isso, o presidente (Rafael Correa) e seus ministros decidiram cortar o serviço, para que não sejam acusados de influenciar parcialmente no sufrágio norte-americano. Não gosto disso, nem compartilho a decisão, mas a entendo”.

“O Wikileaks é um animal de caça. A nossa organização foi construída para lutar. Por mais que nos desconectem da internet, continuarei, junto com minha equipe, a publicar novos dados. Lutaremos, como sempre o fizemos, contra as agências de segurança e os grandes oligopólios tecnológicos, como o Google e o Yahoo”, sentenciou.

A videoconferência de Julian Assange, convidado estelar da sétima Conferência Internacional de Software Livre, aconteceu na sede da Universidade Metropolitana para a Educação e o Trabalho (UMET) em uma mesa da qual participaram o reitor da universidade, Nicolás Trotta, o presidente da Conferência Internacional de Software Livre, Jorge Cabezas, o especialista em cibersegurança Diógenes Moreira e o decano da Faculdade de Informática da UMET, Ricardo Bosco. Além disso, foi possível retransmiti-la em mais de 20 universidades nacionais e houve a possibilidade de fazer perguntas através do Twitter.

Uma das perguntas referiu-se ao papel que alguns meios de comunicação exerceram na formação do poder, especialmente no caso da Argentina. O programador considerou que por conta das redes sociais “se pode visualizar melhor as relações que sempre existiram entre os diferentes partidos políticos e os meios de comunicação na América Latina. Existe um livro (WikiMediaLeaks) que mostra como meios massivos como CNN e Clarín participaram ativamente da montagem de estratégias políticas. Mas essas publicações nunca serão vistas, já que tomar conhecimento disso mudaria a perspectiva das pessoas em relação a quem dá as notícias”, argumento Assange.

Explicativo e com predisposição, defendeu o desenvolvimento do software livre – objetivo central da Conferência Internacional de Software Livre –, mas alertou sobre os inimigos que o sistema operacional democrático enfrenta. “A estrutura do poder do poder foi reformulada, passando a ser totalmente computadorizada. E nós (os programadores) somos aqueles que configuram aquele sistema. Então, a pergunta é: seremos os idiotas que as corporações e faremos apenas o trabalho pelo qual nos contratam? Ou vamos enfrentá-los, produzindo um sistema que não centre o poder em muito poucas pessoas?”, se perguntou.

Assange concluiu: “O problema é que todos os avanços que tivemos no software livre foram absorvidos pela NSA – Agência de Segurança Norte-Americana – ou pelo Google. O Wikileaks foi minha maneira de enfrentar essas injustiças. Isso não quer dizer que não haja outras. Por isso, são muito importantes tanto estas conferências, assim como o compromisso de todos os programadores informáticos”.

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