Detectadas pragas resistentes ao inseticida de um milho transgênico

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Por: André | 14 Dezembro 2011

Deixando de lado as resistências da população aos alimentos transgênicos, os especialistas estão há algum tempo alertando para o fato de que estes cultivos apresentam um risco real fundamentado no conhecimento científico. Os inseticidas biológicos que estas sementes incorporam, do mesmo modo que qualquer outro inseticida, podem selecionar variantes das pragas que sejam imunes a estes produtos, o que anula o propósito original da modificação genética e dificulta ainda mais a luta contra as pragas. E, de acordo com um relatório da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), parece que isto já está ocorrendo.

A reportagem é do jornal espanhol Público, 08-12-2011. A tradução é do Cepat.

O documento da EPA analisa "múltiplas formas de prejuízos inesperados no milho CryBb1". Esta sigla é o nome de uma proteína bacteriana com efeito inseticida cujo gene foi inserido no milho MON 863 do gigante agrobiotecnológico Monsanto. A planta utiliza este gene implantado para produzir a proteína bacteriana que é letal para o verme do milho, que se alimenta das raízes deste cultivo.

Os especialistas da EPA examinaram os alertas de cultivos danificados e concluíram que "se suspeita de resistência em ao menos algumas regiões de quatro Estados", concretamente em Iowa, Illinois, Minnesota e Nebraska. A EPA recomenda que se implemente um "plano adequado de remediação", que consiste em empregar "inseticidas convencionais" e "métodos alternativos de controle para impedir o estabelecimento de insetos resistentes". A agência federal aplica uma série chicotada à companhia biotecnológica ao afirmar que "o programa de monitoramento de resistências [da Monsanto] é inadequado [...], incluindo as respostas a revisões prévias realizadas pela agência [EPA]".

Vender soluções

A companhia replicou colocando em dúvida as conclusões da EPA. O porta-voz da Monsanto em St. Louis, Lee Quarles, disse à agência Bloomberg que "levam a sério" o relatório da agência, mas que não há confirmação científica das resistências. Entre as medidas recomendadas pela Monsanto para "tomar a dianteira do inseto" está em fazer a rotação dos cultivos de milho com soja, mas que é também outra solução para engrossar ainda mais as arcas da empresa: mudar para o milho SmartStax, outra variedade da Monsanto que contém não uma, mas duas toxinas contra o verme.

A EPA, por sua vez, julga que o SmartStax pode perder eficácia em cultivos com vermes resistentes. Propõe, em compensação, plantar milho não transgênico, já que assim os insetos imunes poderão emparelhar-se com outros que não o são e produzir novas gerações de insetos suscetíveis.