"Indignados" refletem mudança que resultou na crise de 2008

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02 Novembro 2011

Indignados de todo o mundo se unem. Protestos espalham-se por diversas cidades, impulsionados pelas redes sociais e pelas novas tecnologias que permitem compartilhar o mal-estar e passar do incômodo individual para a ação coletiva. São acusados de não saberem o que querem e não apresentarem soluções.

O comentário é de Eduardo Felipe P. Matias, doutor em Direito Internacional pela USP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 02-11-2011.

Indignar-se apenas não basta. É necessário identificar o que deu errado e indicar o que deve ser mudado.

A resposta está nas origens da crise de 2008 e no exemplo dos Estados Unidos.

Aspectos institucionais, como a desregulamentação, levaram ao predomínio da cultura do sistema financeiro "na sombra", com seu apetite por negócios de maior risco -e maiores rendimentos- e ao surgimento de bancos "grandes demais para quebrar" que sabiam que os governos não poderiam deixar de vir em seu socorro em uma emergência -como realmente ocorreu, e agora assistimos às consequências desses resgates, que aprofundaram os deficits públicos.

Mas o principal aspecto institucional que explica a crise são os incentivos perversos. Havia pouca relação entre a remuneração dos executivos e a performance das companhias.

Mesmo no auge da crise, em meio a demissões e recessão, parte do dinheiro dos governos para resgatar bancos foi usada para pagar bônus astronômicos. Apenas reflexo da ganância? Talvez não.

Sistemas de remuneração baseados no preço das ações em curto prazo - que será mais alto quanto maior for o lucro anunciado, mesmo que este possa depender de uma contabilidade "criativa" - podem induzir os executivos a atitudes contrárias aos interesses de longo prazo de suas empresas.

Wall Street fornece apenas um exemplo do estrago que regulações ausentes ou ineficazes e incentivos distorcidos podem causar. Se a resposta sobre o que precisa ser mudado parece simples, o caminho para promover essa mudança não é fácil.

Alterar nossas instituições passa por uma infinidade de reformas, que vão da governança corporativa aos sistemas eleitorais, e por profundas modificações no comportamento da sociedade. Demandará mobilização inédita e trabalho duro. Não será um passeio no parque, mas indignar-se é um começo.