“A ética não depende apenas de quem opera o Estado”, afirma Roberto Romano

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Por: André | 28 Setembro 2012

O filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp, esteve ontem em Curitiba para participar do seminário “O futuro da Justiça”, na sede da OAB-PR. Em conversa exclusiva com a Gazeta do Povo, Romano falou de alguns assuntos recentes na política nacional.

A entrevista é de Mariana Scoz e publicada no jornal Gazeta do Povo, 28-09-2012.

Eis a entrevista.

Estamos agora em meio ao julgamento do mensalão, que já tem apresentado alguma punição para os envolvidos no escândalo. Essa punição pode mostrar uma mudança no STF?

O julgamento sinaliza para uma modificação do relacionamento dos poderes com o cidadão, mas nada é definitivo. Mesmo porque você nota uma acirrada posição daquilo que eu chamaria de arrogância do bem. Espera-se do juiz, sobretudo de uma Suprema Corte, que ele aja como colegiado e não com uma individualidade que decide o que é certo ou errado.

Nesta semana, o Sepúlveda Pertence deixou a presidência da Comissão de Ética. Como fica a comissão?

O dilema aqui do Brasil é que você nunca sabe quando uma comissão é de Estado ou de governo. Eu estou muito esperançoso na Comissão da Verdade, pra mim ela vem abrir um campo de responsabilização inédito no Brasil. Mas não sei até quando ela continuará como de Estado e não vai se tornar um campo de disputas políticas. No caso da Ética da Presidência, ficou claro que os dois [integrantes] que não foram reconduzidos foi por punição pelo fato de questionarem o comportamento de ministros. Se eles não podem questionar, então eles não têm sentido. De fato, foi uma perda para o processo democrático.

O senhor acredita que a ética está se perdendo nas discussões políticas?

Primeiro preciso explicar minha posição sobre a ética. Ela é todo o costume do corpo e da mente que uma vez aprendido se repete automático e esse é o seu grande perigo. Desde muito tempo no Brasil está alicerçado esse conúbio do público e do privado. A ética da sociedade brasileira é do favor, do uso do público para fins privados, mas agora estamos começando a cobrar o princípio da responsabilização. A ética está melhorando, mas nada é garantido, pois não depende apenas de quem está operando o Estado, depende da população que tem essa ética.