''A 'partícula de Deus' demonstra a maravilha da criação''

Mais Lidos

  • No episódio dessa semana, as contradições de um Brasil dual, o Papa se manifesta sobre o caso Rupnik e a homossexualidade, o Dia de Memória do Holocausto e mais

    Informe IHU: 27/01/2023

    LER MAIS
  • Holocausto: as raízes não devem ser esquecidas

    LER MAIS
  • Papa Francisco: conservadores assustados com a possível escolha de um jovem bispo progressista para o ex-Santo Ofício

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

06 Julho 2012

O chanceler da Pontifícia Academia das Ciências comenta a descoberta do Cern. E pergunta: quem estipulou as leis da natureza descobertas pela ciência?

A reportagem é de Alessandro Speciale, publicada no sítio Vatican Insider, 05-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, já sabia de antemão, desde o ano passado, que a descoberta do bóson de Higgs já estava próxima.

Durante o simpósio sobre física subnuclear organizado na Casina Pio V, no Vaticano, alguns dos físicos do Cern haviam explicado que o Large Hadron Collider – o mega-acelerador de partículas no subsolo de Genebra, inaugurado menos de um ano antes – havia começado a captar "indícios" da misteriosa partícula perseguida pelos físicos há quase 50 anos. Partícula sem a qual, por assim dizer, no estado atual das teorias sobre a natureza do universo, nada no nosso mundo poderia ter massa, e tudo seria um caldo de pura energia.

"Todas as vezes se demonstra que a criação é algo maravilhoso", diz hoje Dom Sánchez Sorondo, comentando o anúncio da confirmação da descoberta nessa quarta-feira em Genebra.

O fato de que o bóson de Higgs existe, como previsto pelos físicos em 1964, mostra que o universo "tem uma estrutura fundamental que deve ser descoberta". "Mas se ela está aí – acrescenta o prelado argentino com um toque de malícia –, alguém a deve ter colocado".

O bóson de Higgs se tornou a "estrela" da física nuclear principalmente graças ao apelido que lhe foi dado em um livro de 1993 do prêmio Nobel de Física Leon M. Lederman: a "partícula de Deus". Na realidade, parece que, originalmente, o físico tinha pensado em "partícula maldita" – “goddman”, em inglês – para depois ver o seu o título ser mudado por um editor com uma grande intuição.

O nome, talvez, seja muito grandioso. "Mas me agrada – brinca hoje Dom Sánchez Sorondo – que Margherita Hack, que é ateia, também fala de 'partícula de Deus'".

Mais seriamente, o teólogo indica dois aspectos positivos na descoberta no Cern. Acima de tudo, "o nosso conhecimento ajuda a descobrir o que acontece na natureza". Na prática, "a matemática nos ajuda, mas só até certo ponto", porque não podemos ignorar o confronto com a realidade: é um filão de pensamento que o prelado chama de "neorrealismo", sublinhando como entre "o que acontece na natureza" e "o que é compreendido na mente" há uma correspondência efetiva. Em outras palavras: não estamos enjaulados na bolha de vidro da nossa cabeça; há uma correspondência real entre mundo e pensamento.

Depois, prossegue Dom Sánchez Sorondo, "o cientista descobre leis que ele não colocou ali. E se perguntar quem foi que as colocou ali é uma pergunta teológica: o cientista se limita a dizer que as descobriu; o crente vê o fruto da vontade de Deus".

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

''A 'partícula de Deus' demonstra a maravilha da criação'' - Instituto Humanitas Unisinos - IHU