Depois de ter feito o México, o PRI poderá agora desmontá-lo em sua volta ao poder

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

03 Julho 2012

O México é uma obra do PRI (Partido Revolucionário Institucional). Afinal, ocupou praticamente todos os espaços de poder durante 71 anos consecutivos, até 2000.

A reportagem é de Clóvis Rossi, publicada no jornal Folha de S. Paulo, 02-07-2012.

Agora que volta ao poder com Enrique Peña Nieto, a julgar pelas pesquisas de boca de urna, seu desafio é o de evitar que o Estado que construiu, com todos os seus defeitos e qualidades, seja destruído pelo avanço do crime organizado e se torne um "narcoestado". Para evitar esse desenlace, o presidente Felipe Calderón lançou o Exército às ruas e declarou guerra aberta aos cartéis.

O resultado é controvertido. O nível de violência no México segue insuportável, houve cerca de 50 mil assassinatos no período Calderón.

O governo alega que a violência é produto de disputas entre gangues: relatório da Procuradoria Geral informa que "70% das mortes ocorreram no contexto da rivalidade entre grupos criminosos e se deram em oito Estados (o México tem 32 Estados)". Calderón justifica o recurso ao Exército afirmando que, se nada tivesse sido feito, "o país estaria completamente dominado pelos cartéis e o crime organizado teria crescido até o ponto de que as instituições do Estado teriam deixado de funcionar e seriam postas a serviço do crime".

É nesse contexto que Peña Nieto vai assumir. Em conversa com a Folha em Davos, em janeiro, ele disse que pretende retirar gradualmente o Exército da guerra. É verdade que condiciona a retirada a um levantamento para conhecer a força do crime organizado em cada região.

Mas sua estratégia, segundo anunciou ao "New York Times", é mudar o foco: em vez de concentrar esforços em capturar os "capi" dos cartéis (17 dos 22 principais foram presos no governo Calderón) trataria de reduzir os níveis de homicídios e de violência.

Esse anúncio alimentou a sensação disseminada entre analistas mexicanos de que Peña Nieto tratará de conseguir uma acomodação com os criminosos, mais ou menos assim: vocês continuam ganhando dinheiro com o narcotráfico, mas deixam de semear cadáveres pelo país.

É um caminho extremamente arriscado, como aponta Robert Bonner, com a experiência de quem serviu na DEA, a agência anti-drogas dos EUA: "A acomodação pode reduzir um pouco a violência no curto prazo, mas, no fim das contas, o único caminho para o México restaurar a ordem é derrotar os cartéis de uma vez por todas".

Essa é a batalha crucial para o novo presidente, porque os demais problemas legados pelas sete décadas de governos do PRI são comuns a outros países da América Latina: os 52 milhões de pobres (42% da população) ou os 30% que só encontram emprego no setor informal.

A violência é que representa a especificidade mexicana. Custa 1% do PIB e ameaça fazer dele um "narcoestado".