É crucial que a Europa reduza seu consumo de energia, diz deputado europeu

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11 Junho 2012

Claude Turmes, deputado (Partido Verde) luxemburguês do Parlamento Europeu, é o relator do projeto de diretiva sobre a eficiência energética, um texto que ele está negociando com o Conselho Europeu e a Comissão. A discussão entrou em uma fase decisiva, que deverá ser concluída no dia 15 de junho, durante a reunião dos ministros europeus da Energia.

A entrevista é de Hervé Kempf, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 11-06-2012.

Eis a entrevista.

Do que se trata a diretiva sobre a economia de energia?

A ideia é finalizar o pacote de energia-clima de março de 2007, tornando obrigatória a meta de redução de 20% em 2020 do consumo de energia na Europa. É bom para o clima e bom para a economia.

Por quê?

Os cálculos da Agência Internacional de Energia são claros: 50% das medidas que permitem limitar o aquecimento em 2º C dependem dessas economias de energia. O resto diz respeito às energias renováveis e algumas outras tecnologias. O grosso do esforço pelo clima está em casas com melhor isolamento, carros mais econômicos e em menor número, bem como processos industriais mais eficazes.

E quanto à economia?

A fragilidade da Europa se deve em parte à nossa balança comercial deficitária: a Europa importa 450 bilhões de euros por ano em petróleo e gás, sendo 60 bilhões para a França. Desperdiçar energia cria a maior transferência de riquezas da humanidade, consumidores europeus para a Rússia, o Qatar e a Noruega.

Se a eficiência energética é tão crucial, por que é tão difícil fazê-la progredir?

Ela implica uma mudança estrutural muito mais profunda que, por exemplo, a transição da energia nuclear para as energias renováveis ou o gás. Em um mundo que se torna eficaz, o mercado da energia se retrai e o modelo econômico dos revendedores de gás e da energia elétrica deve mudar para encontrar sua rentabilidade nos serviços de consultoria e de investimento no controle da energia. Empresas como a EDF e a Gaz de France hesitam, porque a rendimento financeiro dessas medidas em relação ao das usinas existentes é incerto.

Como o senhor interpreta essa realidade?

Para mim, isso significa que os dirigentes políticos privilegiam os interesses das empresas de energia em detrimento do interesse coletivo. No entanto, os consumidores só têm a ganhar em nível de emprego – um euro em reformas de prédios cria mais empregos locais do que qualquer outro investimento em energia. Mas a política está sujeita a enormes pressões dos lobbies. A transição energética requer que ela se liberte dessa pressão.

Em que pé estão as negociações?

Turmes: Vamos conduzir duas reuniões entre a presidência dinamarquesa do Conselho Europeu e o Parlamento, a fim de tentar fechar o caso para a reunião dos ministros europeus da Energia no dia 15 de junho, ou pelo menos deixar somente alguns pontos a serem finalizados.

Quais são os pontos essenciais?

O artigo 6 do texto indica uma economia de 1,5% de energia final por ano. Mas o Conselho queria excluir os transportes e uma parte da indústria, portanto seriam na verdade 1,1%. É muito pouco para atingir a meta de redução de 20% em 2020.

Além disso, o artigo 4 prevê que os prédios públicos devem servir de exemplo. O Conselho gostaria de limitá-los aos do governo central, excluindo os das prefeituras. Para resolver esse ponto, estamos promovendo a ideia de um plano de ação chamado "Construção 2050", prevendo as ferramentas para renovar o parque, o treinamento dos funcionários, a informação aos cidadãos etc.

Qual é a atitude dos principais Estados?

A Polônia quer uma diretiva ambiciosa, porque ela entendeu que os preços elevados da energia ameaçam sua economia. A Alemanha – é absurdo, em plena decisão de abandono da energia nuclear – está dividida entre o Ministério da Energia, muito contrário a essa diretiva, e um Ministério do Meio Ambiente que é a favor. A Espanha é muito negativa, uma vez que é o país que mais depende do petróleo na Europa. A Itália é positiva, o controle da energia é ali um ponto forte das reformas.

E a França?

O governo anterior não nos ajudava. Minha mensagem à nova ministra é: "Ajude-nos a promover essa diretiva".