Os bispos chilenos distanciam-se das palavras do cardeal Medina

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Por: André | 02 Mai 2012

Quando se abordam temas tão delicados, desde uma perspectiva que não toma em primeiro lugar a preocupação com as pessoas, com sua dignidade, com toda a razão os fiéis têm razões para se inquietaram ou ficarem desconcertados.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 28-04-2012. A tradução é do Cepat.

Diante da polêmica gerada pelas palavras do cardeal Jorge Medina, que defendeu que os homossexuais são como crianças que nascem sem um braço, a Conferência dos Bispos do Chile tomou distância do cardeal, assegurando que se trata de uma opinião pessoal que não representa o pensamento dos bispos ativos no país.

O porta-voz do episcopado, Jaime Coiro, esclareceu a Emol que “as palavras do cardeal Jorge Medina são a opinião pessoal de um bispo emérito, de um cardeal da Igreja que certamente é respeitável, mas o tom e os acentos que ele coloca nessa entrevista não representam os bispos chilenos”.

Assim mesmo, detalhou que a entrevista está demarcada por declarações “de um cardeal da Igreja, mas que não faz parte da Conferência dos Bispos do Chile. Os bispos eméritos não são ativos, portanto, ele não participou do discernimento que os bispos vieram fazendo sobre esta temática e a aproximação pastoral às pessoas homossexuais”.

Coiro assegurou que particularmente nos últimos tempos “os bispos abordaram este tema da homossexualidade desde uma perspectiva de profundo respeito para com as pessoas, como pede a Santa Sé e em alguns pontos que se assinalam nesta entrevista não coincidem com isto”.

Consultado se a Igreja critica o teor desta entrevista dada por um cardeal, o porta-voz da Conferência assegurou que “não nos corresponde qualificar estas declarações, simplesmente podemos precisar seu âmbito: são de uma pessoa particular, do cardeal Medina”.

Junto com isso recordou que “as opiniões da Igreja e dos bispos sobre a homossexualidade estão no primeiro ponto da declaração dos bispos sobre a Lei Antidiscriminação, onde se assinala com muita força que a Igreja apóia as iniciativas que existem para que as pessoas não sejam discriminadas em nenhuma matéria, entre elas por sua condição”.

Nessa mesma linha expressou que Medina não é a voz da Igreja, “é uma voz pessoal, de um bispo que não está na ativa nem faz parte da Conferência Episcopal, mas que tem todo o direito de falar. Inclusive cada batizado pode falar por si mesmo em nome da Igreja, e a Conferência tem seus porta-vozes e este não é o caso”.

Assim mesmo, Coiro reconheceu que pode haver fiéis que se incomodem ou se preocupem com esse tipo de fala por parte de alguém que pertence à Igreja. “Quando se abordam temas tão delicados, desde uma perspectiva que não toma em primeiro lugar a preocupação com as pessoas, com sua dignidade, com toda a razão os fiéis têm razões para se inquietaram ou ficarem desconcertados.

Mesmo assim, esclareceu que “acreditamos que os fiéis sabem diferenciar declarações pessoais das mensagens e posturas coletivas do episcopado”.