A tragédia do Titanic nas fotografias de um jesuíta

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16 Abril 2012

"Desça logo desse navio!". O telegrama do padre provincial era peremptório e não deixava margem para mal-entendidos. E assim Frank Browne (foto), estudante jesuíta irlandês a três anos da ordenação sacerdotal, relutantemente, desceu do transatlântico com a sua mala e a sua máquina fotográfica.

A reportagem é de Enrico Casale, publicada na revista dos jesuítas italianos, Popoli, 11-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Naquele momento, o padre Frank não podia saber que essa ordem tão severa não só lhe salvaria a vida, mas também salvaria as suas fotografias, imagens destinadas a entrar para a história. Sim, porque os seus foram os últimos retratos do Titanic, tirados poucas horas antes do trágico naufrágio ocorrido no domingo 14 de abril de 1912, como consequência do impacto com um iceberg.

Por ocasião do centenário da tragédia, na qual 1.523 dos 2.223 passageiros a bordo perderam a vida (incluindo os 800 membros da tripulação), essas fotos foram coletadas, digitalizadas e impressas em um livro publicado na Irlanda em edição especial, intitulado Father Browne’s Titanic Album (que, na realidade, é uma reedição atualizada e ampliada de um livro lançado em 1997).

Mas quem era o jovem jesuíta? E por que estava a bordo do Titanic? A vida do padre Browne é cheia de episódios excepcionais. Em 1909, quando ainda era novício, ele acompanhou o tio, o bispo Robert Browne, de Cloyne, em uma peregrinação a Roma. Durante essa viagem, ele teve a oportunidade de se encontrar, em uma conversa privada, com o então Papa Pio X. Mas o jesuíta, a seu modo, já entrou para a história. Na faculdade, ele teve a sorte de ser colega de curso do escritor irlandês James Joyce, que o imortalizará no personagem do "senhor Browne, o jesuíta", em sua obra-prima, Finnegans Wake.

O padre Browne cultivava uma paixão: a fotografia. Era um autodidata, mas com uma sensibilidade totalmente particular para a imagem considerada não só do ponto de vista artístico, mas também documental (com os seus retratos, ele testemunharia as tragédias da Primeira Guerra Mundial, da qual participaria como capelão e seria condecorado).

Assim, quando seu tio lhe presenteou um bilhete para o primeiro trecho (Southampton-Cobh) da viagem inaugural do Titanic, ele decidiu levar consigo a máquina fotográfica e toda a parafernália (flash, tripés etc.) para tirar o máximo de fotos possíveis. Uma vez a bordo, ele não perdeu um segundo e começou a fotografar o que parecia interessante: os quartos e o salão de jantar da primeira classe, a academia, a biblioteca, os passageiros que caminham na ponte, mas também os emigrantes de terceira classe. Muitas das pessoas imortalizadas em suas placas pereceria no naufrágio. Entre elas, o capitão Edward Smith. Foi justamente o padre Browne que tirou a sua última foto antes do trágico acidente.

Foi graças às suas imagens que historiadores e engenheiros conseguiram reconstruir ao menos uma parte da história do Titanic. Até mesmo o diretor James Cameron consultou as fotos do jesuíta irlandês para preparar o set do seu blockbuster Titanic (1997). A cena do menino que brinca com um pião no convés da primeira classe sob o olhar atento do seu pai foi reconstruída precisamente a partir de um retrato do padre Browne (foto).

A bordo, o jesuíta conheceu um casal norte-americano que se ofereceu para lhe pagar o bilhete até Nova York. O padre Browne telegrafou ao seu superior em Dublin para lhe pedir a permissão, mas ele recebeu a ordem de descer do navio. Com pesar, ele obedeceu.

De volta à sua comunidade, desenvolveu e catalogou as fotografias e depois as arquivou em um porão, esquecendo-se delas. Seria um coirmão seu, muitos anos depois, que as encontraria e as publicaria.

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