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27 Janeiro 2012

Muda o rosto do catolicismo do país mais populoso da América Latina. Os carismáticos se propagam aos milhões. E têm como estrela um sacerdote que lota os estádios pregando o amor de Deus.

A análise é de Sandro Magister, publicada em seu sítio, Chiesa, 26-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Brasil, que será o palco da próxima Jornada Mundial da Juventude, é o país com o maior número de católicos do globo, à frente do México, Filipinas, Estados Unidos e Itália.

Mas, enquanto até 1980 nove em cada dez brasileiros eram católicos, hoje, os pertencentes à Igreja de Roma caíram para dois terços da população.

Os outros passaram, em grande parte, para o protestantismo. A um protestantismo quase totalmente carismático, pentecostal.

Celebrações festivas, música, canto, curas, linguagem inspirada: as características do pentecostalismo estão próximas da religiosidade popular que a teologia da libertação – em voga na Igreja Católica brasileira nos anos 1970 e 1980 – julgava negativamente, acusando-a de descompromisso social.

Enquanto isso, no entanto, mesmo dentro da Igreja Católica, o pentecostalismo se propagava com uma rapidez surpreendente. Em uma forma ortodoxa, com o nome de Renovação no Espírito. E a hierarquia decidiu dar-lhe espaço. O cardeal Cláudio Hummes, um dos líderes mais proeminentes da Igreja Católica brasileira, de juvenis simpatias pela teologia da libertação, se converteu em um fervoroso defensor da Renovação no Espírito.

Hoje, segundo as estimativas de um estudioso confiável como David Barrett, os protestantes pentecostais e os católicos carismáticos totalizam, juntos, no Brasil, 80 milhões de fiéis, 40% de toda a população. Destes, os católicos seriam cerca de 35 milhões.

"O caso do padre Marcelo Rossi – comenta Massimo Introvigne, sociólogo das religiões – é o exemplo mais surpreendente dessa versão católica do pentecostalismo, no fundo, também ela, uma 'nova evangelização'".