Wislawa Szymborska na oração inter-religiosa ilustrada desta semana

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20 Junho 2014

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Através de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora com Paulo Sérgio Talarico, artista plástico de Juiz de Fora.

Wislawa Szymborska nasceu em 1923 em Kórnik, na Polônia. Estudou literatura e sociologia na universidade de Cracóvia. A partir de 1953 e por quase trinta anos trabalhou na revista literária Zycie Literackie. Destacou-se como poetisa com uma obra que tem como tema as vicissitudes da Polônia moderna.

Emprega uma linguagem simples e coloquial, herança do realismo social que dominou a Europa oriental, mas sua modernidade se revela no tom irônico e na complexidade formal de muitas de suas poesias. Recebeu o Nobel de Literatura de 1996. Faleceu em decorrência de um câncer de pulmão em fevereiro de 2012.

Nuvens – Wislawa Szymborska

Para descrever as nuvens
eu necessitaria ser muito rápida –
numa fração de segundo
deixam de ser estas, tornam-se outras.

É próprio delas
não se repetir nunca
nas formas, matizes, poses e composição.

Sem o peso de nenhuma lembrança
flutuam sem esforço sobre os fatos.

Elas lá podem ser testemunhas de alguma coisa –
logo se dispersam para todos os lados.

Comparada com as nuvens
a vida parece muito sólida,
quase perene, praticamente eterna.

Perante as nuvens
até a pedra parece uma irmã
em quem se pode confiar,
já elas – são primas distantes e inconstantes.

Algo ainda vai acontecer, mas onde e o quê?
Alguém vai lhes barrar o caminho, mas quando, quem,
em quantas formas e com que intenções.

Se tiver escolha,
talvez não queira ser inimigo
e os deixe com alguma vida.

Fonte: Wislawa Szymborska. Poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2014, p. 105-106.