Cidade chinesa de Guiyu recicla lixo eletrônico do mundo todo, com um custo socioambiental extremamente alto

Mais Lidos

  • Escravidão moderna, trabalhadores desprotegidos e precarização universalizada. Entrevista com Reginaldo Ghiraldelli

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • O triunfo do infame. Artigo de Jorge Zepeda Patterson

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Outubro 2014

A cidade chinesa de Guiyu, que recebe lixo eletrônico de todo o mundo para reciclá-lo, emprega dezenas de milhares de pessoas, com um custo ambiental extremamente alto.

A reportagem foi publicada pela AFP, e reproduzida por EcoDebate, 29-10-2014.

A contaminação por metais pesados tornou tóxicos o ar e a água e as crianças têm altos níveis de chumbo no sangue, segundo estudo feito por cientistas da Universidade Médica de Shantou.

“Antes, mandavam para nós o lixo de outras partes do mundo para a China. Esta era a principal fonte (de resíduos) e o principal problema”, disse Ma Jun, diretor de uma das principais ONGs ambientalistas, o Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais.

“Mas agora, a China se tornou uma potência consumidora por si só”, acrescentou.

“Penso que temos 1,1 bilhão de celulares usados e a vida destes aparelhos é cada vez mais curta”, afirmou. “Isto vai trazer um grande problema”, acrescentou.

Segundo cifras da ONU, a China gera seis milhões de toneladas de rejeitos eletrônicos por ano; os Estados Unidos, 7,2 milhões, e o mundo inteiro, 48,8 milhões.

Em Guiyu, a capital da reciclagem tecnológica da China, esta indústria emprega pelo menos 80.000 moradores desta cidade de 130.000 habitantes.

Em um depósito mal iluminado, montes de controles remoto cobrem o chão. Mulheres sentadas em tamboretes de plástico abrem os aparelhos eletrônicos como se fossem ostras, procurando placas de circuitos.

Em uma ruela, a centenas de metros dali, pai e filho, originários de uma província distante, lavam os microchips em recipientes de plástico, enquanto homens descarregam com uma pá telefones velhos e teclados de computador de um caminhão.

A cada ano, a cidade processa mais de 1,6 milhão de toneladas de lixo tecnológico, gerando ganhos no valor de 600 milhões de dólares ao ano, o que atrai migrantes de várias partes da China.

Mas esta atividade é muito irregular e tem um alto custo ambiental. Os resíduos resultantes são lançados em um rio próximo e o ar fica saturado de fumaça da combustão de plásticos, circuitos e produtos químicos.

“As pessoas consideram que não se deve permitir que isto continue”, avaliou Leo Chen, funcionário do setor de finanças de 28 anos, que cresceu em Guiyu.

“Lembro que na frente da minha casa tinha um rio. Era verde e a água era clara e bonita”, relatou. “Agora, é preta”, lamentou.

Lai Yun, um pesquisador do grupo ambientalista Greenpeace, que visitou Guiyu em várias oportunidades, diz que o governo chinês reforçou a legislação para proteger o meio ambiente, mas as normas vigentes não são aplicadas com rigor.

Para o governo de Pequim, em hipótese alguma se pode atravancar o desenvolvimento.

“Do ponto de vista do governo, coletar os resíduos eletrônicos e processá-los é importante para a economia local”, declarou Lai.

“Segundo estudos, 80% dos lares participam da atividade. Por fim, se esta indústria não se desenvolver, estes habitantes precisarão de outro tipo de trabalho”, acrescentou.