Acampamento Terra Livre toma Esplanada dos Ministérios

Mais Lidos

  • Sem sermão para leigos: escolha certa, argumentos errados. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • Venezuela abalada por um duplo evento sísmico: um século de energia liberada em uma hora

    LER MAIS
  • As críticas a esta edição da Copa do Mundo “sugerem a existência de movimentos políticos e pessoas preocupadas com outras questões que não só o futebol ou o lucro da copa, como é o caso da FIFA”, avalia o antropólogo

    Copa da diáspora, dos encontros fugazes e das dificuldades de interação com a diferença. Entrevista especial com Arlei Damo

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: Cesar Sanson | 15 Abril 2015

Na madrugada desta terça-feira (14), cerca de 30 ônibus chegaram à Esplanada dos Ministérios para a montagem do Acampamento Terra Livre (ATL), que acontece até 16 de abril, em Brasília (DF). Assim começou o segundo dia da Mobilização Nacional Indígena de 2015, que conta com delegações de mais de 200 povos indígenas, de todas as regiões do país.

A reportagem é publicada por Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – Apib, 14-04-2015.

Em 2015, o ATL chega a sua 11a edição e, pelo terceiro ano consecutivo, passa a fazer parte da Mobilização Nacional Indígena, que tem ações concomitantes espalhadas por todo o Brasil. A diversidade de povos acampados em um mesmo lugar tem o objetivo de chamar atenção para questões relativas aos direitos indígenas que afetam a todos, como a PEC 215/2000 e a Portaria 303 (AGU). “Nossa grande luta é por direitos, para evitar que a Constituição seja violada”, afirma o cacique Marcos Xukuru.

Marcos veio de ônibus para Brasília junto com uma delegação de 150 indígenas de Pernambuco: “Fizemos todo um processo de articulação; ida aos povos; conversamos com as lideranças explicando o que é o acampamento e o que ele representa para os povos indígenas do país”.

Usando lonas, bambu e barracas, aos poucos a Esplanada dos Ministérios foi sendo tomada. No acampamento, as delegações indígenas juntam-se sob as lonas, e se organizam por regiões, estados, povos. Em cada uma delas há equipes responsáveis pela segurança, limpeza, saúde, cultura e comunicação. A preparação para o acampamento, em alguns casos, começou meses antes de chegar à Esplanada. “Tivemos os momentos em nossas matas pedindo forças aos encantados para que eles viessem nos conduzindo até o Distrito Federal”, completa Marcos Xucuru.

O cacique Nailton Pataxó Hahahãe, que veio do Sul da Bahia com 45 parentes, lembrou que a Mobilização ocorre também fora dos limites de Brasília. “Está sendo rasgada a página do capítulo indígena da Constituição”, disse.

Delegações se apresentam

Após a montagem do acampamento, que tomou quase todo o período da manhã, as lideranças novamente se reuniram em plenária, animada por Anastácio Peralta, do povo Guarani-Kaiowá e da coordenação da Apib. Nela, representantes indígenas de cada um dos estados da federação apresentaram suas expectativas quanto à Mobilização e conclamaram os parentes à luta.

João Tapajós, representante dos povos do Pará, lembrou a falta de autonomia da Funai para dar prosseguimento aos processos de demarcação. Na prática, para ele, a PEC 215 já está vigorando. “Não aceitaremos barragens em nossa região!”, registrou. Tupã Karaí, do povo Guarani, do oeste do Paraná, veio pela primeira vez ao Acampamento, com outras duas pessoas, e quer voltar: “A turma dos políticos jurua [não indígenas] está querendo matar todos os indígenas do Brasil. Por isso nós estamos aqui”.

Também participam do acampamento lideranças quilombolas e sem-terra.

Foto: Fábio Nascimento.