EUA. Relatório afirma que milhares de crianças imigrantes sob custódia federal sofreram abusos

Foto: jeswin/Freepik

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06 Março 2019

Documentos federais mostram que o governo dos EUA recebeu mais de 4.500 denúncias nos últimos quatro anos alegando que crianças que estão sob custódia do governo por causa de questões migratórias sofreram abuso sexual.

A reportagem é de Catholic News Service, 04-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas a agência encarregada de acompanhar as denúncias disse que “os dados informados ao Congresso pela nossa agência refletem acusações muito mais amplas do que de ‘abuso sexual’” e poderiam incluir casos de linguagem vulgar.

Um comunicado do dia 26 de fevereiro de Jonathan Hayes, diretor do Escritório Federal de Reassentamento de Refugiados (ORR, na sigla em inglês), disse que os números incluem acusações de assédio sexual e de comportamento sexual inapropriado, “uma categoria abrangente para comportamentos sexuais que não chegam ao nível de abuso ou assédio sexual”. O ORR faz parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.

Algumas das denúncias envolviam comportamentos perpetrados contra crianças detidas, não necessariamente por funcionários federais ou por empregados contratados para cuidar das crianças, disse o comunicado. Mas elas incluem acusações de que adultos encarregados de cuidar das crianças abusaram sexualmente delas de alguma forma.

Hayes disse no comunicado que o número total de incidentes de supostos abusos cometidos por funcionários encarregados dos menores, basicamente adultos, que supostamente teriam abusados das crianças é pequeno e, no período de quatro anos, totalizaram 178 casos.

“Essas acusações foram totalmente investigadas, e foram tomadas medidas corretivas quando necessário”, disse o comunicado.

Mas críticos disseram que o relatório não oferece informações suficientes sobre o que aconteceu com aqueles que se acredita que cometeram os abusos.

As crianças atingidas tinham entrado ilegalmente no país sem um dos pais ou um tutor legal, ou tinham sido separadas de um dos pais pelos funcionários federais. Os dados traçam informações recebidas entre outubro de 2014 e julho de 2018 daquelas que são chamadas de “crianças estrangeiras desacompanhadas”.

“A segurança dos menores é a nossa maior preocupação ao administrar o programa para as crianças estrangeiras desacompanhadas”, disse Hayes no comunicado.

Os documentos foram a fonte de uma guerra de versões entre Hayes e o congressista democrata da Flórida Ted Deutch, que disseram que eles “detalham um ambiente de ataques sexuais sistêmicos cometidos por funcionários contra crianças desacompanhadas”.

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