Os bispos do México e Estados Unidos, unidos contra a construção de um muro na fronteira

Fonte: Religión Digital

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

28 Janeiro 2017

Os bispos mexicanos e estadunidenses se uniram contra o muro com o qual Donald Trump quer “proteger” seu país da imigração. Em dois comunicados, os prelados do norte e o sul do Rio Grande demonstraram sua “profunda dor” pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, que “colocará desnecessariamente em risco as vidas dos imigrantes”.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 27-01-2017. A tradução é do Cepat.

Em sua nota, a Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) qualificou o muro como “desumana interferência” na vida de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, adverte Trump que a Igreja, no México e nos Estados Unidos, “continuará apoiando próxima e solidariamente” os migrantes dos dois lados da fronteira, como vem fazendo há mais de duas décadas.

“Expressamos nossa dor e rejeição à construção deste muro, e convidamos respeitosamente a fazer uma reflexão mais profunda acerca das formas como é possível procurar a segurança, o desenvolvimento, a ativação do emprego e outras medidas, necessárias e justas, sem provocar mais danos aos que já sofrem, os mais pobres e vulneráveis”, afirma o comunicado da CEM.

“Seguiremos apoiando próxima e solidariamente a tantos irmãos nossos que provêm da América Central e do Sul, e que seguem em trânsito através de nosso país para os Estados Unidos”, ressalta o episcopado mexicano, que conclui pedindo às autoridades do país que continuem “em busca de acordos” com o país vizinho para que “se salvaguarde a dignidade e o respeito” dos migrantes, que só procuram “melhores oportunidades de vida”.

Por sua parte, os bispos dos Estados Unidos destacaram que a construção do muro prometido por Trump, na fronteira com o México, “aumentará significativamente a detenção e deportação de imigrantes” e será “omissa à sentença de cumprimento da lei estatal e local sobre a melhor maneira de proteger suas comunidades”.

O bispo Joe Vásquez, presidente do Comitê de Migração e bispo da Diocese de Austin, declarou: “Estou desolado porque o presidente priorizou construir um muro em nossa fronteira com o México” e porque “esta ação colocará desnecessariamente em perigo a vida de imigrantes”.

“A construção desse muro só fará com que os migrantes, especialmente as mulheres e crianças, sejam mais vulneráveis aos traficantes e contrabandistas”, disse. E acrescentou que “a construção de um muro de tais dimensões desestabiliza muitas comunidades vivas e muito bem conectadas entre elas, que vivem em paz ao longo da fronteira”.

“Ao invés de construir muros, meus irmãos bispos e eu continuaremos seguindo o exemplo de Francisco. Nós buscaremos construir pontes entre as pessoas, as pontes que nos permitem romper as barreiras da exclusão e exploração”, apontou.

Considerou, além disso, que “o anunciado aumento de espaço de detenção para imigrantes e as atividades de controle da imigração é alarmante”, porque “separará famílias e provocará medo e pânico nas comunidades”.

“Respeitamos o direito de nosso governo federal em controlar nossas fronteiras e garantir a segurança para todos os estadunidenses, mas não acreditamos que uma ação em grande escala para a detenção de imigrantes e o crescente intensivo uso de controle em comunidades imigrantes seja o caminho para obter essas metas”, afirma o bispo.

“Continuaremos – conclui o comunicado – apoiando e nos solidarizando com as famílias imigrantes. Recordamos nossas comunidades e nossa nação, que estas famílias têm um valor intrínseco como filhos de Deus. E a todos os afetados pela decisão de hoje, que estamos aqui para caminhar com eles e acompanhá-los nesta ocasião”.

Leia mais