Mulheres no Concílio. Artigo de Adriana Valerio

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

20 Agosto 2012

Foram nada menos do que 23 as mulheres presentes no Concílio Vaticano II e com um papel longe de ser simbólico. Capazes de determinação, com perspectivas inovadoras e por uma igualdade de gênero na Igreja.

A análise é da historiadora e teóloga Adriana Valerio, professora da Universidade Federico II, de Nápoles. O artigo foi publicado na revista Mosaico di Pace, da seção italiana no movimento internacional Pax Christi, de abril de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Terça-feira, 8 de setembro de 1964, na sal a das audiências em Castel Gandolfo, Paulo VI anunciou oficialmente a presença de auditoras no Concílio e, no dia 25 do mesmo mês, entrou na sala a primeira mulher, a francesa Marie-Louise Monnet, fundadora do Movimento Internacional do Apostolado dos Meios Sociais Independentes (Miamsi).

De setembro de 1964 a julho de 1965 foram chamadas 23 auditoras no total: 10 religiosas e 13 leigas, escolhidas em sua maioria segundo critérios de internacionalidade e de representação. As religiosas foram: a norte-americana Mary Luke Tobin (na foto, ao lado de Marie-Louise), presidente da Conferência das Superioras Maiores dos Institutos Femininos dos EUA, a egípcia Marie de la Croix Khouzam, presidente da União das Religiosas do Egito, a libanesa M. Henriette Ghanem, presidente das Superioras Maiores Maronitas, a francesa Sabine de Valon, superiora geral das Religiosas do Sagrado Coração, a irmã alemã Juliana Thomas, secretária geral da União das Superioras da Alemanha, a francesa Suzanne Guillemin, superiora geral das Filhas da Caridade, a espanhola Cristina Estrada, superiora geral das Servas do Sagrado Coração de Jesus, a italiana Constantina Baldinucci, presidente da Federação Italiana das Religiosas Hospitalares, a norte-americana Claudia Feddish, superiora geral da Ordem das Irmãs Basilianas, e a canadense Jerome M. Chimy, superiora geral das Irmãs Servas de Maria Imaculada.

As leigas chamadas foram, além da francesa Marie Louise Monnet: a espanhola Pilar Bellosillo, presidente da União Mundial das Organizações Femininas Católicas, a australiana Rosemary Goldie, secretária executiva da Comissão Permanente dos Congressos Internacionais para o Apostolado dos Leigos, a holandesa Anne-Marie Roeloffzen, secretária geral da Federação Mundial da Juventude Católica Feminina, as italianas e viúvas de guerra Amalia DeMatteis, viúva de Cordero Lanza di Montezemolo, presidente do Patronato da Assistência Espiritual das Forças Armadas, e Ida Marenghi-Marenco, viúva de GrilloAlda Miceli, presidente do Centro Italiano Feminino, a norte-americana Catherine McCarthy, presidente do Conselho Nacional das Mulheres Católicas, o casal mexicano Luz María Longoria e José Alvarez Icaza Manero, presidentes do Movimento da Família Cristã, a argentina Margherita Moyano Llerena, presidente da Federação Mundial da Juventude Católica Feminina, a uruguaia Gladys Parentelli, presidente do Movimento da Juventude Agrária Católica Feminina, a alemã Gertrud Ehrle, presidente da Federação Alemã das Mulheres Católicas, e, por fim, a baronesa tchecoslovaca Hedwig von Skoda, presidente da Equipe Internacional de Renascimento Cristão.

A essas auditoras devemos acrescentar cerca de 20 mulheres, chamadas de "especialistas" pelas específicas competências e profissionalidade, como a economista Barbara Ward, especialista internacional em questões inerentes à fome no mundo, Patricia Crowley, autoridade sobre as temáticas relativas ao controle de natalidade, Eileen Egan, ativista não violenta e pacifista, consultada sobre as problemáticas concernentes à guerra.

Presença determinada

A participação das auditoras, nas intenções de muitos padres conciliares, deveria revestir um caráter mais simbólico. Na realidade, elas foram tudo, menos simbólicas, participando com determinação e competência nos trabalhos das comissões.

A sua presença, embora circunscrita às duas últimas sessões do Concílio, a terceira (14 de setembro a 21 de novembro de 1964) e a quarta (14 de setembro a 8 de dezembro de 1965), foi particularmente viva e significativa, deixando sinais importantes nos próprios documentos conciliares.

A influência da auditoras se deu sobretudo em dois documentos nos quais elas haviam trabalhado a partir das subcomissões: as constituições Lumen Gentium, que sublinhou a rejeição de qualquer discriminação sexual, e a Gaudium et Spes, em que surgiu a visão unitária do homem e da mulher como "pessoa humana" e a igualdade fundamental dos dois.

Sabemos das intervenções de autoridade de algumas delas (por exemplo, de Goldie, de Bellosillo e de Guillemin) para que a afirmação da dignidade da pessoa humana superasse toda consideração específica sobre o feminino, que não se quis tratar como assunto em si mesmo, em separado, mas sim liberto de qualquer jaula e limitação. O primado da paridade fundamental, conferido pelo batismo às pessoas que creem, confere a todos e, portanto, também às mulheres, o princípio da corresponsabilidade apostólica.[...]

(Cf a notícia do día 20/08/2012 desta página)

Que sentimentos essa notícia provocou em você?

O texto bíblico a seguir pode lhe iluminar.

Leia-o e deixe que ele ecoe em você.

Amaldiçoem o difamador e o homem falso,
porque eles arruínam muitos que vivem em paz.
A língua intrometida inquieta muitos,
fazendo-os fugir de nação em nação;
ela destrói cidades fortes e devasta as casas dos poderosos.
A língua intrometida faz com que
mulheres excelentes sejam repudiadas,
privando-as do fruto de seus trabalhos. (Eclo 28, 13-15)

Com confiança faça uma oração com o que sentiu.

Se quiser, pode escrever sua prece e enviá-la, para que outros possam rezar junto pelo site.

Mande sua mensagem pelo formulário abaixo: