Faça o mesmo

Mais Lidos

  • Uma (nova) história do deus - Flávio, cristofascista ‘escolhido’ e totalmente crente. Artigo de Fábio Py

    LER MAIS
  • Interesses particulares descolados de apreciação profunda e respeitosa transformaram a cidade em um canteiro de obras que muitas vezes desconsideram o impacto ambiental e social, priorizando apenas o luxo e o lucro. História da cidade está se perdendo

    “Torres e sua natureza estão sendo assaltadas, negligenciadas e transmutadas”. Entrevista especial com Lara Lutzenberger

    LER MAIS
  • A Palantir não vende mais apenas ‘software’: vende uma teoria tecnofascista de governança global

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Julho 2016

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho segundo Lucas 10,25-37 que corresponde ao 15° Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto 

 
http://www.periodistadigital.com/religion/

Para não sair mal de uma conversa com Jesus, um mestre da lei lhe perguntou: «E quem é o meu próximo?». É a pergunta de quem só se preocupa em cumprir a lei. Interessa-lhe saber a quem deve amar e a quem pode excluir do seu amor. Não pensa nos sofrimentos das pessoas.

Jesus, que vive aliviando o sofrimento de quem encontra no seu caminho, quebrando se faz falta a lei do sábado ou as normas de pureza, responde-lhe com um relato que denuncia de forma provocadora todo o legalismo religioso que ignore o amor ao necessitado.

No caminho que baixa de Jerusalém a Jericó, um homem foi assaltado por bandidos. Agredido e despojado de tudo, fica na valeta meio morto, abandonado à sua sorte. Não sabemos quem é, apenas que é um «homem». Poderia ser qualquer um de nós. Qualquer ser humano abatido pela violência, a doença, a desgraça ou o desespero.

«Por casualidade» aparece pelo caminho um sacerdote. O texto indica que é por acaso, como se nada tivesse que ver estar ali um homem dedicado ao culto. O seu não é baixar até os feridos que estão nas valas. O seu lugar é no templo. A sua ocupação, as celebrações sagradas. Quando chega ao local do ferido, «vê-o, dá uma volta e passa ao lado».

A sua falta de compaixão não é só uma reação pessoal, pois também um levita do templo que passa junto ao ferido «faz o mesmo». É mais uma atitude e um perigo que espreita a quem se dedica ao mundo do sagrado: viver longe do mundo real onde as pessoas lutam, trabalham e sofrem.

Quando a religião não está centrada num Deus, Amigo da vida, e Pai dos que sofrem, o culto sagrado pode converter-se numa experiência que distancia da vida profana, preserva do contato direto com o sofrimento das pessoas e nos faz caminhar sem reagir ante os feridos que vemos nas valas. Segundo Jesus, não são os homens do culto os que melhor nos podem indicar como temos de tratar aos que sofrem, mas as pessoas que têm coração.

Pelo caminho chega um samaritano. Não vem do templo. Não pertence sequer ao povo eleito de Israel. Vive dedicado a algo tão pouco sagrado como o seu pequeno negócio de comerciante. Mas, quando vê o ferido, não se pergunta se é próximo ou não. Comove-se e faz por ele tudo o que pode. É a este que temos de imitar. Assim diz Jesus ao legalista: «Vai e faz tu o mesmo». A quem imitaremos ao encontrarmos no nosso caminho com as vítimas mais golpeadas pela crise econômica dos nossos dias?