'Brasília se tornou versão tropical de Jogos Vorazes', diz 'FT'

Mais Lidos

  • "Um certo tipo de tranquilidade está chegando ao fim." O Consistório e a teologia numa perspectiva conciliar. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • “O ataque testa limites de tolerância interna e externa a uma gramática de exceção que pode ser replicada em outros cenários”, adverte o professor

    A Doutrina Donroe e o sequestro de Maduro: a exceção como método de governo no “Hemisfério Ocidental”. Entrevista especial com Armando Alvares Garcia Junior

    LER MAIS
  • Dez teses sobre a nova era. Artigo de Steven Forti

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Dezembro 2015

Em meio aos novos desdobramentos da crise política no Brasil, o jornal britânico Financial Times definiu a capital federal, Brasília, como uma "versão tropical dos Jogos Vorazes", em alusão à série de filmes homônima em que os person agem lutam por sobrevivência.

A reportagem foi publicada por BBC Brasil, 03-12-2015.

Segundo o jornalista e editor de América Latina do diário, Jean Paul Rathbone, que assina o artigo, publicado na versão eletrônica do diário, os políticos brasileiros "estão agora mais preocupados em salvar as suas próprias peles do que lidar com uma preocupação mais premente: a economia", escreveu ele.

Na terça-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a soma dos bens e serviços produzidos pelo país, recuou 1,7% no terceiro trimestre de 2015, o pior para o período desde o início da série histórica, em 1996. Como o resultado, a economia brasileira permanece em recessão (quando há dois trimestres consecutivos de queda).

Rathbone citou "razões políticas" para a abertura do processo de impeachment contra Dilma, diante da escalada de tensão entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

"A razão imediata para o possível impeachment é a acusação de que seu governo maquiou as contas públicas (as chamadas "pedaladas fiscais") - um assunto técnico. Mas a razão para que o processo do impeachment tenha sido lançado agora é puramente política", escreve Rathbone.

"Hábil operador dos bastidores, Cunha esperava que o governo do PT apoiasse sua causa e o protegeria. Quando esse apoio não veio, ele iniciou o processo de impeachment. A oposição, farejando sangue, aderiu ao pleito", acrescenta.

'Ainda pode piorar'

Em meio à crise política e econômica, o jornalista destacou também que a situação do Brasil "ainda pode piorar".

"A economia está sofrendo sua pior recessão desde 1930. O Congresso está fortemente afetado pela chamada operação Lava Jato que investiga o escândalo de corrupção na Petrobras? e um senador (Delcídio Amaral) foi preso na semana passada. E agora foram abertos os procedimentos para dar início ao impeachment da presidente, Dilma Rousseff. Pode ficar pior? A resposta curta é: sim".

Segundo Rathbone, contudo, o "fim de Dilma" não é "iminente".

"O processo de impeachment é longo, sinuoso e altamente legalista; é pouco provável que ele comece devidamente antes de fevereiro. Enquanto isso, Cunha pode perder seu cargo - nesse caso o processo pode ser interrompido. Além disso, mais políticos podem cair devido a acusações de corrupção. Isso pode mudar o equilíbrio de votos e o poder no Congresso de maneiras incontáveis".

O jornalista britânico também diz acreditar que a operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvio de verbas na Petrobras, deve gerar benefícios a longo prazo para o Brasil.

"O destemor com que figuras anteriormente intocáveis foram sabatinadas ou mesmo derrubadas por juízes independentes é notável. Certamente, trata-se de um esboço que contrasta com a forma como a corrupção é enfrentada em outros países do Bric".

"A longo prazo, isso vai melhorar a governança no Brasil? uma coisa boa. No curto prazo, porém, os custos são imensos".