Arcebispo que teria desejado a morte do papa se arrepende e ameaça jornal

Mais Lidos

  • Escala 6x1: "O trabalho engole tudo". O testemunho de um trabalhador

    LER MAIS
  • Quando o clericalismo se torna narcisismo, o altar transforma-se num palco. Artigo de Phyllis Zagano

    LER MAIS
  • Fim da escala 6x1 avança no Congresso após pressão popular. Destaques da Semana no IHUCast

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Novembro 2015

Primeiro, uma mensagem para a diocese, em que não desmentia nada, mas jurava obediência ao Papa Francisco e, no dia seguinte, o ataque ao nosso jornal.

A reportagem é do jornal Il Fatto Quotidiano, 27-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O arcebispo de Ferrara, Luigi Negri, decidiu agir assim depois do artigo publicado no Il Fatto há dois dias – que reportou um diálogo dele, em voz alta, em um trem Frecciarossa que partiu de Roma no dia 28 de outubro, em que ele se lançava contra as nomeações de Bergoglio para Bolonha e Palermo: "Depois dessas nomeações, até eu posso me tornar papa", chegando a dizer: "Espero que Nossa Senhora faça com Bergoglio o milagre que fez com aquele outro", aludindo ao Papa Luciani, que morreu tragicamente no Vaticano depois de 33 dias de pontificado.

Assim, nessa quinta-feira, Dom Negri se lançou contra este jornal: "A preocupação de dirigir principalmente à minha Igreja uma mensagem de esclarecimento sobre as afirmações que apareceram no Il Fatto Quotidiano do dia 25 de novembro não pode prescindir de uma segunda, devida e necessária ação contra aqueles que tão gravemente lesaram a minha dignidade humana e eclesiástica, e também a da Igreja". Negri escreve em um comunicado: "Já me crucificaram por frases que eu nunca pronunciei".

Na mensagem anterior à diocese, Negri, não desmentindo nada, tinha renovado a "total obediência" ao Papa Francisco, ao qual pediu um encontro: "Se, por causa do que aconteceu, se determinasse um escândalo, sobretudo nos mais frágeis, todos pediríamos perdão".

Vinte e quatro horas depois, no entanto, eis as acusações contra o Il Fatto, réu por ter "agido em desprezo pelas mais elementares normas deontológicas do jornalismo, atribuindo-me frases entre aspas que eu nunca disse e extrapolando outras dos seus contextos originais para obter conteúdos opostos ao que se estava dizendo, transformando, assim, a hipótese do jornalista em certeza. É profundamente incorreto no plano da profissão e da deontologia do jornalista. O mais grave diz respeito à primeira página: 'Francisco deve ter o fim daquele outro papa'. O terrível título entre aspas, de fato, reporta uma frase jamais pronunciada por mim, e a prova disso é que, depois, tal frase não é mais encontrada no corpo do artigo. O que fica claro é que se coloca entre aspas a interpretação que o Il Fatto quis dar ao caso, crucificando-me, assim, em uma frase jamais pronunciada. É um procedimento de gravidade inédita".

Além disso, de acordo com o bispo, o jornal Il Fatto teria utilizado "frases subtraídas sem a permissão da pessoa interessada e sem pedir, no momento em que foram pronunciadas, o seu significado real e não reportadas na sua completude".

Portanto, além de "me reservar o direito de avaliar junto aos meus advogados toda medida em minha tutela, pergunto à opinião pública e à Ordem dos Jornalistas se esse é o modo de desempenhar o trabalho informativo. Mas também peço à comunidade que não se torne cúmplice".