O Papa aos valdenses: “Peço-lhes perdão em nome da Igreja católica”

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Por: Jonas | 23 Junho 2015

O encontro já era um acontecimento histórico: pela primeira vez, um Papa visitou um templo valdense. Porém, configurou-se mais ainda após as palavras do próprio Papa Francisco aos evangélicos metodistas piemonteses. “Da parte da Igreja católica, peço-lhes perdão pelas atitudes e os comportamentos não cristãos, inclusive não humanos que, na história, tivemos contra vocês. Em nome do Senhor Jesus Cristo, peço-lhes perdão!”.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 22-06-2015. A tradução é do Cepat.

Um pedido que transformou esta etapa da viagem de Bergoglio em um encontro fundamental para o acontecimento ecumênico, tão fortemente estimulado por Jorge Mario Bergoglio.

Nesta manhã, o Pontífice saiu do arcebispado de Turim e se dirigiu ao templo valdense. Na entrada, foi recebido pelo moderador da Mesa valdense, o pastor Eugenio Bernardini, pelo presidente do consistório da Igreja evangélica valdense de Turim, Sergio Velluto, e pelo titular da Igreja valdense de Turim, o pastor Paolo Ribet.

Após as saudações iniciais de Ribet, Bernardini e do moderador da Mesa valdense do Rio da Prata, o Papa começou seu discurso agradecendo: “a cordial acolhida que hoje me reservam, faz-me pensar nos encontros com os amigos da Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata, com os quais pude apreciar a espiritualidade e a fé, e aprender tantas coisas boas”. Em seguida, o Pontífice ressaltou que “um dos principais frutos que o movimento ecumênico permitiu alcançar nestes anos é a descoberta da fraternidade, que une todos os que acreditam em Jesus Cristo e que foram batizados em seu nome”. Este vínculo “não se baseia em critérios simplesmente humanos, mas, sim, nesse compartilhamento radical da experiência que funda a vida cristã: o encontro com o amor de Deus que se revela a nós em Jesus Cristo e a ação transformadora do Espírito Santo, que nos assiste no caminho da vida”. Por isso, o Papa apontou que voltar a descobrir “tal fraternidade nos permite apreciar o profundo vínculo que já nos une, apesar de todas as nossas diferenças”.

Francisco reconheceu que é “uma comunhão ainda em caminhada (a unidade se faz caminhando), mas que, com a oração, com a constante conversão pessoal e comunitária e com a ajuda dos teólogos, esperamos, confiando na ação do Espírito Santo, que possa se tornar plena e visível comunhão na verdade e na caridade”.

O Pontífice precisou: “A unidade que é fruto do Espírito Santo não significa uniformidade. Os irmãos, de fato, surgiram de uma mesma origem, mas não são idênticos entre si. Isto está muito claro no Novo Testamento, onde, apesar de chamar irmãos todos os que compartilhavam a mesma fé em Jesus Cristo, intui-se que nem todas as comunidades cristãs, das quais formavam parte, tinham o mesmo estilo, nem uma idêntica organização interna. Inclusive – recordou – dentro da própria pequena comunidade era possível distinguir carismas e também no anúncio do Evangelho havia diferenças, às vezes contrapostas”.

E logo depois, a passagem mais importante de seu discurso: “Infelizmente, aconteceu e continua acontecendo que os irmãos não aceitam suas diferenças e acabam fazendo guerra, de um contra o outro. Refletindo sobre a história de nossas relações, não podemos mais do que nos entristecer frente às disputas e a violência cometida em nome da própria fé, e peço ao Senhor que nos dê a graça de nos reconhecermos todos pecadores e de sabermos perdoar uns aos outros. Graças à iniciativa de Deus, que nunca se resigna frente ao pecado do homem, novas vias são abertas para viver nossa fraternidade, e não podemos abrir mão delas. Da parte da Igreja católica, peço-lhes perdão pelas atitudes e os comportamentos não cristãos, inclusive não humanos que, na história, tivemos contra vocês. Em nome do Senhor Jesus Cristo, peço-lhes perdão!”.