Cardeal Pell busca aconselhamento jurídico ao ouvir que havia zombado de vítimas de abuso

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02 Junho 2015

George Pell ameaçou tomar medidas legais depois que um membro da comissão vaticana para a tutela de menores o acusou de “zombar” das vítimas de abusos infantis.

O texto é de Melissa Davey, publicado no jornal The Guardian, 01-06-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Peter Saunders, ele próprio vítima de abuso sexual infantil, disse que Pell, o cardeal mais antigo da Igreja australiana, teve uma desconsideração “quase sociopata” pelas vítimas de abuso sexual em sua negação repetida de que nada sabia sobre as vítimas de abuso dentro da Igreja.

Mas uma nota emitida em nome de Pell na segunda-feira diz: “Estas alegações falsas e enganosas contra a Sua Eminência são revoltantes. O cardeal não tem outra alternativa senão consultar os seus assessores jurídicos”.

Antes, Saunders havia dito à rede de TV australiana Channel Nine: “Eu pessoalmente acho que a posição dele é insustentável, porque agora ele tem um histórico de negações, um histórico em denegrir as pessoas, de agir com frieza. [Ele é] quase um sociopata, eu diria”.

“Ele está zombando da comissão papal, do próprio papa, mas, acima de tudo, das vítimas e dos sobreviventes [de abusos]”.

Como chefe das finanças do Vaticano, Pell é um dos assessores mais próximos do papa. É também a autoridade católica mais influente da Austrália.

Durante as audiências da comissão australiana para respostas institucionais aos abusos cometidos contra menores de idade, realizadas semana passada na cidade de Ballarat, a 96 km de Melbourne, uma vítima do notório sacerdote pedófilo Gerald Ridsdale acusou Pell de este tê-lo subornado a manter silêncio sobre o abuso. A comissão também ouviu que Pell estava envolvido na decisão de deslocar Ridsdale entre paróquias quando os seus abusos se tornaram públicos.

Pell já havia aparecido diante da comissão australiana duas vezes por meio de videoconferência direto do Vaticano.

“Eu acredito que Pell tem, pelo menos, a responsabilidade moral de vir para cá e contar à comissão tudo o que sabe, a fim de desfazer os receios que muitas vítimas e sobreviventes sentem, que é a de que ele está evitando encarar algumas verdades muito, muito difíceis: o seu comportamento no passado”, disse Saunders ao Channel Nine.

“Ele vai ser um grande incômodo no papado de Francisco caso continue. Eu acho fundamental que ele seja afastado, que seja enviado de volta à Austrália e que o papa aja, com firmeza, contra ele”.

Se Francisco não destituir Pell, disse Saunders, então a “grandeza” deste papado poderá estar ameaçada.

Em nota, um porta-voz de Pell negou as alegações de acobertamento de abusos sexuais e disse que o cardeal cooperou plenamente com a comissão investigativa.

“Ele nunca tolerou nem protegeu os transgressores, ele nunca tolerou ou participou em transferir [entre paróquias] transgressores assumidos e não tentou, nenhuma vez, subornar David Ridsdale, cuja história variou muitas vezes ao longo dos anos”, lê-se no texto divulgado.

“Por muitas vezes o cardeal repetiu a sua mais profunda simpatia pelas vítimas de abuso e por suas famílias. Em várias ocasiões ele deixou claro que apoia o trabalho da comissão real, onde ele já apareceu duas vezes, e à qual ele continua disposto a auxiliar em seu trabalho”.