Papa Francisco, dois anos. “Decidiu abandonar as 'prédicas', de sabor clerical e rançoso, em favor do testemunho”

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10 Março 2015

Aquela que agora ninguém mais tem temor de chamar “a revolução do Papa Francisco” (alguns falam até de “milagre Francisco”) é com toda probabilidade fruto de um mosaico de gestos e palavras que marcaram estes dois anos de pontificado. No entanto, aquilo que me parece mais significativo – e, portanto nota caracterizante – é a concretude à qual acrescentarei o adjetivo “sóbria” que o Papa Francisco tem mostrado e continua mostrando em cada intervenção, visita, presença sua.

A opinião é de Maria Teresa Pontara Pederiva, jornalista que acompanha os assuntos relacionados à Igreja, colaboradora de Vita Trentina, Settimana e Vatican Insider-La Stampa, publicada por Il sismografo, 09-03-2015.

Um Papa que não participou do Concílio nos faz cotidianamente dom do mais autêntico espírito do Concílio, participando realmente de toda “alegria, esperança, tristeza e angústia” dos homens. Aquele perceber o “cheiro das ovelhas” que solicitou – quase implorou – aos pastores mostra acima de tudo vivê-lo em primeira pessoa com uma imediatez extraordinária que definitivamente fez descer a figura do Papa (e auguramos que seja de todos os “homens de Igreja”) daquele pedestal que frequentemente o fazia aparecer tão distante, longínquo da vida cotidiana das pessoas.

Sua concretude se exprime com um conhecimento profundo – fruto de uma singular proximidade do pastor com o seu povo – das vicissitudes humanas também as mais feriais, em particular dos casais e das famílias, mas também de quantos trabalham ou experimentam marginalizações e conflitos.

Penso em todas aquelas expressões que se referiam à vida cotidiana no interior dos muros domésticos, “comunidades de amor e de reconciliação, nas quais se experimenta a ternura, a ajuda recíproca, o perdão recíproco”, dos gestos de amor (as três palavras mágicas “permissão, obrigado, desculpe) quando “voam pratos“, da atenção aos anciãos (“exilados como presença incômoda em casa”) à insubstituível e discreta presença das vovós, ”primeiras catequistas”.

Mas, a concretude também é aquela dos gestos que o tem aproximado – e com ele toda a Igreja – ao coração do povo: Francisco é um Papa que decidiu abandonar as “prédicas” (de sabor clerical e enfadonho) a favor do testemunho, o único que torna crível o Evangelho.