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25 Novembro 2014

"A ebulição religiosa é muito mais intensa ao longo dos eixos das duas principais rodovias que cortam o Estado do Rio, a Dutra e a BR 101. Nas cidades que margeiam essas estradas, os evangélicos crescem muito mais rapidamente do que em outras áreas", escreve Hélio Schwartsman, jornalista, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 23-11-2014.

Eis o artigo.

Já se sabia que a abertura de rodovias induz ao desmatamento, mas um novo trabalho dos demógrafos José Eustáquio Diniz Alves, Suzana Cavenaghi e Luiz Felipe Walter Barros, do IBGE, mostra que estradas também precipitam mudanças religiosas.

O artigo "A transição religiosa brasileira e o processo de difusão das filiações evangélicas no Rio de Janeiro", que será apresentado no 19º Encontro Nacional de Estudos Populacionais, a realizar-se em São Pedro (SP) nesta semana, analisa os dados do Estado do Rio (que costuma antecipar em duas ou três décadas o que acontecerá com o Brasil em termos de religião) e conclui que a população católica continua perdendo espaço para outras denominações, notadamente os evangélicos pentecostais e neopentecostais. Se as tendências se mantiverem, até 2030 os católicos se tornarão menos de 50% dos brasileiros.

Até aí não há muita novidade. Outros estudos dos mesmos autores já haviam apontado essa tendência. O novo trabalho, porém, mostra que a ebulição religiosa é muito mais intensa ao longo dos eixos das duas principais rodovias que cortam o Estado, a Dutra e a BR 101. Nas cidades que margeiam essas estradas, os evangélicos crescem muito mais rapidamente do que em outras áreas.

Esse achado é consistente com a tese de que os evangélicos divulgam sua doutrina e fidelizam seus clientes segundo critérios de mercado e valendo-se de um padrão de contato porta a porta. Possuir rádios e TVs ajuda, mas interações sociais diretas são insubstituíveis.

E o que pensar desse troca-troca religioso e da mercantilização da fé? Embora muitos vejam o fenômeno com maus olhos, creio que ele evidencia um fato auspicioso. No mundo de hoje, as pessoas se sentem aptas a contestar a tradição e decidir por si mesmas a que grupos irão pertencer. Isto é, se quisermos, uma das definições de liberdade.