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08 Outubro 2014

O medo de enfrentar as questões "de doutrina" no Sínodo deve ser vencida. Se não se abordassem esses pontos, se daria apenas uma bela prova de autorreferencialidade eclesial. Isso é precisamente o que o papa – e o bom senso dos fiéis – queria e quererá evitar.

A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua. O artigo foi publicado no blog Come Se Non, 07-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A propósito do temor expresso por Basilio Petrà: no seu comentário, Basilio Petrà evidencia um grande limite da Relatio introdutória proposta nessa segunda-feira pelo cardeal Erdö.

Na realidade, das palavras do cardeal, as questões centrais dos divorciados em segunda união parecem encontrar resposta simplesmente em uma ampliação das malhas do processo canônico. Para isso, não era necessário convocar um Sínodo, nem extraordinário, nem ordinário.

Eu diria, ao invés, que no interior de um Sínodo dos bispos, é totalmente inevitável que a palavra do relator comece com grande cautela. Uma expectativa do papa é que o debate seja aberto e que não se tema a dissidência.

A leitura de Petrà me parece inclinar a um pessimismo excessivo. Há pequenas aberturas da Relatio que permitem que o debate reintroduza tudo o que foi esquecido e aprofunde o que foi apenas insinuado.

De fato, o medo de enfrentar as questões "de doutrina" deve ser vencida. Se não se abordassem esses pontos e se limitassem a alguns ajustes de caráter judicial ou administrativo, se daria apenas uma bela prova de autorreferencialidade eclesial. Isso é precisamente o que o papa – e o bom senso dos fiéis – queria e quererá evitar.