''Quem faz voto de pobreza e depois vive como rico fere as almas''

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Agosto 2014

A hipocrisia dos religiosos e das religiosas que antes fazem voto de pobreza e depois "vivem como ricos fere as almas dos fiéis e prejudicam a Igreja". O papa falou claro no encontro realizado nesse sábado com os consagrados e as consagradas das comunidades religiosas católicas coreanas durante o terceiro dia da sua viagem ao país da "Calma Manhã".

A reportagem é de Gianni Valente, publicada no sítio Vatican Insider, 16-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O bispo de Roma também alertou os religiosos e as religiosas da tentação de adotar "uma mentalidade puramente funcional e mundana, que nos leva a colocar a nossa esperança apenas nos meio humanos e destrói o testemunho da pobreza que Nosso Senhor Jesus Cristo viveu e nos ensinou".

Ao dirigir-lhe palavras de saudação por parte das irmãs coreanas, a irmã escolástica Lee Kwang-ok, jnb, também tinha falado claro, falando sobre uma sociedade coreana que "sofre nestes tempos de globalização por causa do domínio do capitalismo e do poder político" e de uma "Igreja contaminada pelo secularismo agravado pelo neoliberalismo".
 
O Papa Francisco sempre fala claro. No início do encontro, ele adverte que as Vésperas não serão rezadas junto, como previsto, porque o intenso programa já estava atrasado, e ele deve voltar de helicóptero para Seul, e, se a escuridão cai, "há o perigo de acabar esmagados sob a montanha". Ele fala claramente, mas as suas sugestões e os seus apelos hoje não foram inspirados por um taciturno furor rigorista.

Para o Papa Francisco, o fato de os religiosos se voltarem para as riquezas ou para as seduções do poder é apenas um sintoma de uma falta. Isso ocorre quando os consagrados e as consagradas perderam o contato com a experiência da misericórdia de Deus, única fonte verdadeira da sua vocação: "Só se o nosso testemunho for alegre", disse o Papa Francisco no seu encontro com as religiosas e os religiosos realizado no Centro de Formação da School of Love de Kkottongnae, "é que poderemos atrair homens e mulheres a Cristo".
 
Aos religiosos e às religiosas coreanas, Francisco lembrou que apenas a experiência renovada da misericórdia de Deus, continuamente mendigada, permite-nos perseverar na prática dos conselhos evangélicos da pobreza, da obediência e da castidade: "A castidade, a pobreza e a obediência de vocês", disse, "se tornarão um testemunho alegre do amor de Deus na medida em que vocês permanecerem firmes sobre a rocha da sua misericórdia. Essa é a rocha".

O fato de tender à perfeita caridade, ideal da vida religiosa – assim repetiu o Papa Bergoglio – nunca é o fim de um perfeccionismo. Ao contrário, reconhecer as próprias fraquezas e fragilidades pode se tornar o primeiro passo para redescobrir-se necessitado da graça de Cristo e evitar a tentação de se considerar autossuficiente: "Mesmo se estivermos cansados – disse Bergoglio aos religiosos reunidos em Seul – podemos oferecer-lhe os nossos corações sobrecarregados de pecados e fraquezas. Nos momentos em que nos sentimos mais frágeis, podemos encontrar Cristo, que se fez pobre para que nos tornássemos ricos. Essa nossa necessidade fundamental de sermos perdoados e curados é, em si mesma, uma forma de pobreza que nunca devemos esquecer, apesar de todos os progressos que fazemos rumo à virtude".
 
Assim, aproveitando o encontro com os religiosos e as religiosas coreanos, o Papa Francisco repropôs em termos simples o que faz nascer e alimenta toda vocação cristã. Não só a da vida religiosa. E não apenas na Coreia, mas em todas as latitudes.