Para ONGs, Shell "esconde" que nada mudou em área contaminada por petróleo na Nigéria

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

06 Agosto 2014

Três anos após um estrondoso relatório da ONU, o governo da Nigéria e a Shell estão sendo acusados por ONGs de não terem feito praticamente nada contra a contaminação por petróleo em Ogoniland, no coração do delta do rio Níger.

A reportagem foi publicada pelo jornal Le Monde e reproduzido pelo portal UOL, 05-08-2014.

Essa investigação científica sem precedentes da ONU havia estabelecido a extensão e o impacto da contaminação por petróleo na região. Ela recomendava que fosse iniciada a mais ampla operação de limpeza já realizada no mundo, com uma duração estimada entre 25 e 30 anos, e que a indústria petrolífera e o governo nigeriano participassem com um montante de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,2 bilhões).

Desde então, as poucas medidas tomadas por Abuja e pela Shell "não passam de uma forma de esconder que nada mudou", segundo a associação Amigos da Terra Nigeria. Juntamente com a Anistia Internacional e três outras organizações, elas publicaram, na segunda-feira (4), um relatório intitulado "Shell: nenhum progresso".

Exploração excessiva do subsolo

"A Shell, até o momento, se esquivou diante da necessidade de limpar os danos que ela causou", acredita a Anistia Internacional. Em abril de 2013, a companhia petrolífera Shell enviou uma equipe para Ogoniland pela primeira vez em duas décadas para fazer um inventário de suas instalações. Na época, a companhia afirmou que se tratava de uma "etapa-chave" para se adequar ao relatório da ONU de 2011.

Em 1993, a Shell havia sido forçada a suspender suas atividades na região onde vivem os ogonis, após manifestações e protestos. A minoria ogoni --da qual nove militantes, entre eles o escritor Ken Saro-Wiwa, foram enforcados em 1995-- exige uma distribuição justa das riquezas provenientes do petróleo e indenizações pela exploração excessiva do subsolo de sua região.

A Nigéria produz cerca de 2 milhões de barris por dia, mas grande parte da população vive abaixo do limiar de pobreza, sobretudo por causa da corrupção endêmica no setor petroleiro.