FAO destaca avanço no combate à fome na AL

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

14 Mai 2014

No 33º encontro de ministros e gestores públicos da América Latina e do Caribe organizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a discussão de políticas públicas de segurança alimentar na região, a entidade divulgou estudo no qual comemora o cumprimento, com um ano de antecedência, da meta da ONU de redução da fome pela metade por 16 de 38 países latino-americanos e caribenhos, entre eles o Brasil.

A reportagem é de Luciano Máximo, publicada no jornal Valor, 12-05-2014.

Para o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano, o dado reflete os esforços de governos no estabelecimento de legislações e na criação de ações focalizadas no combate à fome e à desnutrição ao longo dos últimos 20 anos, quando a região viu cair de 66 milhões para 47 milhões o número de pessoas que não têm condições de fazer ao menos três refeições diárias.

Mas a notícia celebrada em Santiago não esconde que mais de 20 outros países da região ainda precisam manter os esforços para atingir os Objetivos do Milênio da ONU fixados para 2015 e muitos enfrentam sérios problemas. O Paraguai, por exemplo, é grande exportador de alimentos e pelo menos 22,3% de sua população passa fome. Conforme relatório da FAO, o país pouco avançou para melhorar esse percentual nos últimos 20 anos. Na Guatemala e Costa Rica houve retrocessos nos indicadores de segurança alimentar no mesmo período. No Haiti metade da população hoje padece da falta de comida, aponta a entidade da ONU.

Eve Crowley, especialista da FAO baseada no Chile, aponta algumas contradições que dificultam a superação da fome na região: "A América Latina e o Caribe são os maiores produtores de alimentos do mundo, mas alguns governos priorizam os exportadores em detrimento de pequenos agricultores familiares. A região tem inúmeras experiências bem-sucedidas, como o Fome Zero no Brasil, mas muitas vezes os países têm dificuldade em trocar experiências e estabelecer cooperações."

Já o secretário de Segurança Alimentar do Ministério de Desenvolvimento Social do Brasil, Arnoldo de Campos, observa que temas como agricultura familiar, programas que visam a zerar a fome, ações para incentivar a qualidade nutricional dos alimentos e a produção sustentável de comida avançaram na agenda dos países da região. "Há sintonia entre governos, está na agenda do Brasil e de vários outros países, em parte graças a um trabalho de intermediação e cooperação executado pela FAO", disse Campos.

Nos pequenos países e no Caribe, a assistência técnica e a cooperação internacional precisam ser ampliadas, principalmente diante dos impactos causados por fenômenos naturais e mudanças climáticas, diz Roland Bhola, ministro da Agricultura de Granada. "Somos muito gratos e abertos à toda forma de cooperação técnica para avançar na segurança alimentar, mas é preciso fazer mais. No ano passado enfrentamos seis furacões. Nosso prejuízo foi alto, por isso seria importante focar ações que deem previsibilidade e capacidade de adaptação sobre os impactos das mudanças climáticas em nossos territórios", diz Bhola.

Segundo ele, ajuda financeira da Venezuela e suporte técnico oferecido pela FAO permitiram aos países do Caribe criar programas que têm ajudado a combater a fome nos últimos anos. O vice-presidente venezuelano para a Área Social, Héctor Rodríguez Castro, diz que a cooperação está incluída nos contratos de compra de petróleo. "Eles nos pagam com bens de consumo e uma parte deve ser paga com investimentos por eles em políticas sociais. Dentro desse esquema, US$ 12 milhões vão para um programa de alimentação desenvolvido pela FAO para a erradicação da fome em todo o Caribe", diz Rodríguez Castro.