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17 Março 2014

É possível ter opiniões contrastantes sobre o primeiro ano de pontificado do Papa Francisco. Para aqueles católicos que, com Bento XVI, voltavam para casa todas as noites teologicamente bem alimentados, o Papa Francisco, com a sua proximidade ao povo e a sua modéstia, parece, ao invés, como um "pároco do interior". De outro lado, jubilam-se aqueles que, com o conservadorismo de Bento XVI, não viam nenhum espaço de movimento. Mas ambas as partes sentem o vento da primavera. Ainda não é o "verão", mas é um começo.

O comentário é publicado pelo jornal Der Standard, 11-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Evangelii gaudium, também na Alemanha, se encontra na cabeceira de todos os bispos. Não se cansam de louvar o recente escrito "sagrado". Mas as palavras do papa que convidam à mudança não mudaram nada na resistência às reformas dos dignitários eclesiásticos na Áustria.

Ele prefere uma Igreja que saia pelas ruas a uma Igreja que adoece pelo fechamento e pela comodidade, escreve o Papa Francisco. O anúncio essencial não poderia ser mais claro: os batimentos do coração de uma Igreja viva é a proximidade às pessoas.

Mas, na Áustria, os bispos continuam se comportando como coveiros: o "desmatamento" das comunidades paroquiais continua de forma imperturbável. Não se veem esforços criativos por uma modernização urgentemente necessária. Não são nem considerados novos modelos de direção de comunidade adaptados às situações das paróquias locais.

O papa abriu novos espaços de liberdade que, contudo, não são aproveitados pelos bispos austríacos. Em Roma, é primavera. Na Áustria, é um profundo inverno.