Bispos católicos elegem cardeal Marx como seu novo presidente

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14 Março 2014

Nec laudibus, nec timore era o lema do "leão de Munique": um bispo não deve se deixar influenciar nem por louvores nem por temores. O cardeal Clemens August, conde de Galen, que esteve à altura desse lema nas suas corajosas pregações contra o programa de eutanásia nacional-socialista, está sepultado na catedral de Münster. A poucos metros da catedral, os bispos católicos alemães escolheram, na última quarta-feira, o cardeal Reinhard Marx como seu novo presidente.

A reportagem é do sítio Domradio.de, 12-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele também deverá mostrar coragem e firmeza para representar publicamente a Igreja alemã e dar-lhe um rosto. Marx era um dos favoritos. No entanto, havia críticos que se perguntavam, duvidosos, se o cardeal poderia se comprometer ainda mais, além dos seus já inúmeros cargos em nível de Igreja universal, como presidente da Comece, a comissão dos bispos da União Europeia, como membro do G8, o conselho dos cardeais desejado pelo papa, e também como coordenador da nova autoridade vaticana para a economia.

Mas, pouco depois da sua eleição, Marx se mostrou confiante em poder levar adiante tais tarefas e de poder aproveitar a estreita relação com o Vaticano e a Igreja alemã para o bem de ambas as partes.

Quase no mesmo dia, há um ano, havia sido eleito papa o argentino Jorge Mario Bergoglio. Portanto, era fácil fazer comparações entre o conclave e a eleição à Conferência Episcopal Alemã. Os 62 prelados chegaram à eleição depois de quatro rápidos escrutínios. Faltava apenas a fumaça branca, quando se abriu a porta do seminário de Münster, e o presidente cessante, o arcebispo Roberto Zollitsch, apresentou o seu sucessor.

Zollitsch mostrou-se aliviado por poder passar para outra pessoa o seu difícil cargo depois de seis anos decididamente movimentados. Mas Marx também emanava alegria e confiança. Por puro acaso, da torre vizinha, ressoaram, justamente às 11h, as notas de Gaudeamus igitur.

Mais de 200 jornalistas transmitiram, na quarta-feira, da cidade-catedral da Westfália, as suas reportagens sobre a eleição. Participaram da tradicional conversa vespertina sobre os bastidores, comumente frequentada por um círculo bem conhecido, cerca de 150 representantes de vários meios. O enorme interesse midiático certamente tem a ver com a virada epocal ligada ao nome de Francisco. "Mesmo em uma sociedade plural, a Igreja ainda desperta muito interesse", alegrou-se Marx.

Contudo, alguns bispos reagiram de maneira crítica quando a escolha do presidente da Conferência Episcopal Alemã foi comparada à eleição do papa. O presidente não é um papa nacional, distinguiu o bispo de Augsburg, Konrad Zdarsa. O bispo de Münster, Felix Glenn, definiu o presidente da conferência como "moderador": "Ele deve garantir uma unidade na conferência. Certamente, são possíveis opiniões diferentes, elas existem, obviamente, em um órgão formado por 66 'líderes alfa' (homens dominantes), mas ele deve ser alguém que consiga mantê-los unidos também".

Mas um papel de moderador não deveria ser suficiente. A Igreja na Alemanha continua sofrendo de uma crise de confiança por causa do escândalo dos abusos sexuais e do caso Limburgo. Há décadas, mais de 100 mil católicos por ano abandonam a Igreja. Muitas mulheres comprometidas na Igreja não pretendem mais aceitar ser empurradas para a terceira fileira. E a falta de padres e de reformas estruturais nas dioceses tiram segurança mesmo de fiéis membros da comunidade. Espera-se, portanto, que o novo presidente encarne visões positivas e sustente um novo começo.

A importância do presidente irá aumentar, já que o Papa Francisco pretende conferir maiores competências às conferências episcopais. O fato de que Marx, com os seus novos cargos no Conselho dos Cardeais e no Conselho para a Economia, tem relações diretas com Roma não deve ser um impedimento.