“Mas a Igreja jamais deve ser obsessionada pelo Mal”

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05 Dezembro 2013

"A quase absoluta maioria de quem se dirige aos exorcistas não tem necessidade de exorcismos, mas de terapia médica", afirma Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto e teólogo

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 02-12-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

Qual é a posição da Igreja com respeito aos exorcismos?

A fé da Igreja é fundada sobre o primado de Deus e de seu amor e sobre a centralidade da pessoa humana, chamada a corresponder a este amor. A visão de fé não ignora as resistências ao bem e o cansaço de amar. É uma posição realista. Há uma resistência a fazer o bem que não é somente fruto de escolhas pessoais, mas tende a condicionar estas escolha, e na qual frequentemente se faz presente a obra do maligno. Deus tem o poder de vencer o adversário, mas Satanás não cessa de agir. Não se pode excluir que haja pessoas que experimentam uma sujeição ao demônio, até um estado de possessão diabólica, para o que pode ser necessária a ajuda de um exorcista, encarregado pela Igreja, que, no entanto, escapa de toda espécie de obsessão do demoníaco.

Por que aumentam os exorcistas?

Esta é uma grande questão. Também na minha diocese um presbítero é por mim indicado para desenvolver este ministério. Todos os cristãos, quando recitam o Pai nosso, pedem a libertação do maligno, e cooperam em certa medida no ministério dos exorcistas. É, depois, exigido que em toda diocese o bispo escolha um ou mais sacerdotes como exorcistas: padres prudentes, de profunda fé e equilíbrio. Sua presença é benéfica porque ajuda muitas pessoas, que não são possuídas, a compreender que é de uma intervenção psicológica ou psiquiátrica que necessitam. Se não houvesse os exorcistas, muitos, na realidade, com frequência não saberiam a quem se dirigir.

Entre os que pedem ajuda quantos são possuídos?

A quase absoluta maioria de quem se dirige aos exorcistas não tem necessidade de exorcismos, mas de terapia médica. Com quem é possuído inicia, ao invés, um percurso de conversão, ajudando a voltar à oração, aos sacramentos, de modo que uma vida de fé dê força à própria pessoa para sair da possessão. Depois, certamente, se desenvolve também o rito do exorcismo, mas não é a única ação. Sem conversão não há libertação.

O Papa fala com frequência do demônio. Por quê?

Porque a realidade de Satanás é parte da tradição bíblica e do patrimônio de fé da Igreja. Falar disso não é ceder ao sensacionalismo ou a qualquer fobia, mas ser realista. Significa chamar a atenção do homem e impeli-lo para Deus. Também Kant, que não pode ser considerado suspeito de fáceis crenças, fala do mal radical e da redenção pela graça. Falar disso faz parte da visão cristã da antropologia, amiga do homem e confiante nele, precisamente porque fundada sobre Deus que é amor.